Potências dizem que sanções da ONU contra o Irã foram 'necessárias'

Países, porém, afirmam que estão abertos ao diálogo com a República Islâmica

estadão.com.br

09 de junho de 2010 | 13h22

O países que negociaram as sanções aprovadas nesta quarta-feira, 9, pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram que as medidas foram necessárias para responder à relutância do Irã em abandonar seu controvertido programa nuclear.

 

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O governo dos EUA, o principal agente por trás da aprovação das sanções, anunciou que ainda está aberto ao diálogo com o Irã. "Os EUA permanecem abertos para negociar, mas o Irã deve assumir suas obrigações e demonstrar claramente à comunidade internacional a natureza de seu programa nuclear", informa um comunicado da Casa Branca.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que as sanções enviam uma "mensagem inequívoca" ao Irã. "Reconhecemos os direitos do Irã, mas esses direitos requerem responsabilidades", disse o presidente americano.

 

Rússia

 

O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, afirmou que as sanções foram uma "medida forçada, cuja implementação envolveu uma cuidadosa e proporcional aproximação". A Rússia, que por muito tempo se opôs à aplicação da resolução, considerou que ela foi "necessária" para garantir a estabilidade da ordem mundial.

 

Churkin ainda citou a futura usina nuclear russa em Bushehr, no Irã, como uma prova de que Moscou apoia o direito de a República Islâmica ter acesso á energia nuclear para fins pacíficos.

 

França

 

A França, que junto dos EUA e do Reino Unido lutou para que as sanções fossem aprovadas o quanto antes, afirmou que "as portas para diálogo com o Irã continuam abertas". "Esperamos que o Irã finalmente escolha a cooperação", diz um comunicado divulgado pela chancelaria de Paris momentos depois da votação no Conselho de Segurança.

 

Reino Unido

 

O ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, considerou as sanções como "um passo muito significativo". "A decisão mostra a determinação da comunidade internacional sobre a questão. Mostra também que a tática iraniana de não querer negociar sobre a totalidade de seu programa nuclear não vai funcionar", disse o chanceler.

 

China

 

A China, outro país que se manteve contrário à resolução por muito tempo devido à proximidade e boas relações que mantêm com o Irã, pediu que todos os países sejam condizentes com as medidas. "A China pede que todos os membros da comunidade internacional que implementem a resolução compreensivelmente e de boa fé", disse Li Baodong, embaixador chinês no Conselho.

 

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Li, porém, disse que as sanções não impedem o diálogo do Irã com o mundo continuar. "É imperativo retornarmos ao caminho do diálogo e das negociações", disse o chinês, acrescentando que o objetivo da resolução é justamente "trazer a República Islâmica de volta às conversas".

 

Alemanha

 

A Alemanha, que se uniu aos membros permanentes do Conselho de Segurança para negociar as sanções, disse que as medidas são uma "clara e equilibrada resposta à persistência negativa" do Irã em esclarecer as dúvidas de seu programa nuclear para a comunidade internacional.

 

"O Irã desobedece há dois anos as demandas do Conselho de Segurança e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A resolução deixa claro às autoridades iranianas que esta atitude contra o direito internacional tem seu preço", afirmou o ministro de Exteriores alemão, Guido Westerwelle.

 

União Europeia

 

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que o órgão também está aberto para dialogar com o Irã a respeito do seu programa de enriquecimento de urânio. "O objetivo de nossos esforços é chegar a um estabelecimento compreensivo de longo prazo que restaure a confiança da comunidade internacional sobre a natureza pacífica do programa nuclear iraniano", disse.

 

As sanções eram pretendidas pelas potências nucleares pelos temores de que o Irã enriqueça urânio para produzir armas atômicas. Teerã, porém, nega tais alegações e afirma que mantém o programa nuclear apenas para fins civis.

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