Mohammed Ameen/AFP
Mohammed Ameen/AFP

Potências mundiais e Irã começam negociação nuclear em Bagdá

Objetivo é avançar na solução para polêmico programa nuclear iraniano, disseram diplomatas

REUTERS

23 Maio 2012 | 07h43

Texto atualizado às 17h29

BAGDÁ - O Irã e potências mundiais trocaram propostas detalhadas durante discussões nesta quarta-feira, 23, em Bagdá, na esperança de encerrar um longo e volátil impasse por causa das suspeitas de que Teerã desenvolve armas nucleares secretamente.

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As consequências da desconfiança são graves: o mercado global de petróleo está sobressaltado por causa das prolongadas sanções ocidentais às exportações iranianas, e do espectro de uma guerra no Oriente Médio por causa de eventuais ataques israelenses contra seu arqui-inimigo.

Mas ainda restam divergências entre o Irã e as potências (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha), envolvendo principalmente o alívio às sanções contra a República Islâmica.

Após 15 meses de paralisia diplomática, que começou a ser rompida com um diálogo exploratório no mês passado em Teerã, os participantes adotaram um tom otimista, ao menos publicamente.

"Tivemos um intercâmbio detalhado nesta manhã", disse um enviado ocidental, segundo quem as seis potências apresentaram um "pacote" de propostas.

À tarde, disse outro diplomata, o Irã reagiu às ofertas e "também ampliou as discussões para tocar em outras áreas que vemos como questões não-centrais". A imprensa iraniana disse que o negociador do país, Saeed Jalili, apresentou um pacote com cinco itens relativos a "abrangentes" questões nucleares e não-nucleares.

Mas, num sinal das dificuldades pela frente, a agência estatal de notícias Irna afirmou que a proposta das grandes potências "procura pelo em ovo", enquanto a agência estudantil Isna relatou que "aparentemente do ponto de vista iraniano o pacote é desequilibrado".

Mas esses vazamentos não parecem estar na resposta final iraniana, e as discussões se prolongavam.

O objetivo principal das potências é obter do Irã um acordo para restringir o programa de enriquecimento de urânio do país, de forma transparente e verificável, garantindo que seu propósito é mesmo pacífico, como insiste Teerã. Para o Irã, a prioridade é o fim das sanções que isolam o país e afetam sua economia.

No início do encontro, um porta-voz da chefe da delegação das seis potências, Catherine Ashton, disse que o Irã seria convidado a suspender o enriquecimento do urânio além do grau de 20 por cento de pureza.

O Ocidente teme que, ao enriquecer o urânio a mais de 20 por cento, o Irã supere obstáculos técnicos que o impedem de chegar a 90 por cento de pureza, o que é necessário para o uso em armas atômicas.

O Irã diz estar aumentando o grau de enriquecimento do seu urânio para poder usá-lo em reatores de pesquisas médicas.

Com informações da Reuters

 

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