Potências mundiais liberam bilhões para reconstrução líbia

Líderes mundiais concordaram na quinta-feira em liberar mais vários bilhões de dólares para que o governo provisório da Líbia restaure serviços vitais e comece a reconstruir o país, assolado por 42 anos de ditadura e seis meses de guerra civil.

JOHN IRISH E KEITH WEIR, REUTERS

01 Setembro 2011 | 20h36

Em seu primeiro pronunciamento ao mundo desde que as forças rebeldes tomaram Trípoli e expulsaram o governante Muammar Gaddafi, os líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT) agradeceram o apoio das potências ocidentais e conclamaram os líbios a uma transição pacífica.

No dia em que se completam 42 anos do golpe de Estado que derrubou o rei Idris e levou Gaddafi ao poder, potências ocidentais -- principalmente França e Grã-Bretanha -- prometeram manter seu apoio militar ao CNT enquanto for necessário, mas disseram que o foco agora é a reconstrução.

"Nós já nos comprometemos a liberar verbas da Líbia do passado para financiar o desenvolvimento da Líbia do futuro", disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em entrevista coletiva.

Por causa de sanções da ONU a Gadadfi, bilhões de dólares do patrimônio líbio no exterior estavam congelados nos últimos meses.

Segundo Sarkozy, 15 bilhões de dólares já estão sendo liberados. A cifra inclui 1,5 bilhão de dólares que estavam congelados nos EUA, 1,5 bilhão de dólares na Grã-Bretanha, 1,5 bilhão de euros (2,16 bilhões de dólares) na França, 2,6 bilhões de euros na Itália, 1 bilhão de euros na Alemanha e 700 milhões de euros na Holanda.

Mustafa Abdel Jalil, chefe do CNT, disse às delegações de cerca de 60 países e organizações internacionais que a Líbia não irá decepcioná-los. "O mundo apostou nos líbios, e os líbios demonstraram sua coragem e realizaram o seu sonho", disse ele.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, defendeu que as sanções da ONU sejam suspensas de maneira responsável, e que o CNT tenha direito a um assento na organização.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que a comunidade internacional vai manter seu apoio ao CNT, pois não pode "se dar ao luxo de ter um Estado falido e pária às portas da Europa".

DISPUTA PELO PETRÓLEO

O Ocidente está preocupado em evitar os erros cometidos no Iraque, e o foco da apertada pauta da conferência de três horas foi a reconstrução política e econômica da Líbia. Mas, nos bastidores, já começou a disputa pelas lucrativas oportunidades nos setores de petróleo, energia e infraestrutura.

"Este é um país potencialmente rico. Eles têm petróleo. Eles têm recursos congelados no mundo todo. Se conseguirmos encontrar uma forma de avançarmos para uma Líbia democrática e mais bem governada, esse pode ser um país realmente próspero", disse o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, a jornalistas.

Antes do evento, o chanceler francês, Alain Juppé, disse que a prioridade é ajudar a Líbia em suas necessidades humanitárias e na retomada do abastecimento de energia e combustível, mas que as oportunidades de investimento também serão muito disputadas.

"Vocês sabem que esta operação na Líbia custou muito. É também um investimento no futuro, porque uma Líbia democrática é um país que irá se desenvolver, oferecendo estabilidade, segurança e desenvolvimento para a região", disse ele à rádio

RTL.

Durante a conferência, Abdel Jalil e o primeiro-ministro interino Mahmoud Jibril apresentaram planos para uma nova Constituição e a realização de eleições dentro de 18 meses.

O porta-voz do CNT, Mahmoud Shammam, disse após a reunião que os membros do CNT não pretendem disputar cargos públicos durante quatro anos.

Rússia, China e Brasil, que foram contra a intervenção da Otan a favor dos rebeldes, mas também têm interesse em obter contratos numa Líbia estável, enviaram delegações à conferência de Paris.

"O Brasil está ao lado do povo líbio em suas aspirações por liberdade e democracia. O futuro da Líbia deve ser definido pelos próprios líbios", disse o Ministério das Relações Exteriores em nota, explicando que o país se absteve na votação que autorizou o uso da força na Líbia "por entender que seu mandato poderia dar margem a uma militarização do conflito para além da proteção de civis".

"A elaboração de estratégias para o período pós-conflito deverá levar em consideração os aportes de mecanismos regionais relevantes como a Liga dos Estados Árabes e a União Africana."

Mais conteúdo sobre:
LIBIA CONFERENCIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.