Potências não se entendem sobre sanções ao Irã

Terminou sem acordo na sexta-feira areunião de seis grandes potências mundiais a respeito de umaquarta rodada de sanções contra o Irã, a qual Rússia e Chinatêm restrições, disse o porta-voz do Departamento de Estado dosEUA Robert Wood. França, Grã-Bretanha e Alemanha tambémparticipam. De acordo com Wood, todos os seis países apoiaram a chamadadupla via -- alternando sanções e incentivos -- contra oprograma nuclear iraniano. "Eles continuam comprometidos emexplorar possíveis novas medidas pela segunda via [a dassanções]", disse Wood. O porta-voz acrescentou que os seis países reiteraram aoferta de incentivos feita em junho ao Irã para abandonar o seuprograma de enriquecimento de urânio, uma proposta que foivirtualmente ignorada por Teerã, que se diz no direito demanter um programa nuclear para a geração de eletricidade comfins civis -- embora o Ocidente desconfie de finalidadesmilitares. Um diplomata europeu disse após a reunião que todosconcordaram em princípio com a necessidade de mais sanções, masque não houve consenso sobre o conteúdo e o momento daaplicação. "Os russos obviamente não estão preparados para avançaragora, e os chineses não estão distantes do pensamento russo",disse esse diplomata, pedindo anonimato. Mesmo antes do encontro, as expectativas já eram limitadas,por causa do mau momento nas relações entre a Rússia e oOcidente, por causa da guerra de agosto na Geórgia. "Pedimos [aos russos] que deixem de lado, como nósdeixamos, qualquer questão que exista [...] sobre a Geórgia etrabalhem em áreas onde podemos trabalhar juntos -- o Irã",disse Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado dosEUA. China e Rússia foram excluídos de uma reunião matinal noDepartamento de Estado que tratou da Geórgia e do Irã, masforam chamados para o almoço, em que se falou apenas doprograma nuclear iraniano. "Os russos sempre foram muito relutantes, e normalmentecada resolução de sanções [da ONU] é um drama -- três ou quatromeses de negociações, vírgula por vírgula. Acho que será maisou menos a mesma coisa", disse uma autoridade européia. "Estaresolução, se e quando a conseguirmos, será muito fraca." Nesta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica(AIEA, um órgão da ONU) disse em relatório que o Irã estáobstruindo as investigações sobre seu programa nuclear. Stephen Hadley, assessor de segurança nacional da CasaBranca, afirmou que essa postura "não é tranqüilizadora". "Comoeles não tomaram aquela decisão estratégica [de abandonar oenriquecimento de urânio] e parecem ainda menos cooperativos,acho que vocês verão nas próximas semanas apelos por maispressão contra o Irã", disse. O Irã já sofreu três rodadas de sanções da ONU, masespecialistas dizem que a capacidade de pressão dos EUA contrao seu inimigo está reduzida devido à fraqueza política dopresidente George W. Bush, a quem só restam quatro meses demandato. Teerã, Moscou e Pequim estariam levando isso em conta. Mas McCormack rejeitou a idéia de que a futura resoluçãopode ser muito fraca ou nem aparecer. "Estamos procurando aresolução do Conselho de Segurança mais robusta queconseguirmos", disse.

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