Potências organizam estrutura para diálogo no Oriente Médio

As grandes potências estão trabalhando em uma declaração a fim de estabelecer as bases para que ocorram conversações diretas de paz entre Israel e os palestinos, disse a chefe de política externa da União Europeia a chanceleres do bloco na quinta-feira.

DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

12 de agosto de 2010 | 15h28

A alta representante Catherine Ashton disse em uma carta vista pela Reuters que a declaração seria emitida no começo da semana que vem, se ambas as partes concordarem em iniciar conversas diretas. As negociações deverão ser iniciadas em agosto.

A UE trabalha com o quarteto formado por Estados Unidos, Rússia e a Organização das Nações Unidas (ONU) para promover um tratado de paz no Oriente Médio.

Na segunda-feira, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, indicou que poderia seguir para um diálogo direto desde que as conversas fossem baseadas numa declaração de 19 de março feita pelo quarteto.

Jornais israelenses noticiaram que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse ao enviado dos EUA, George Mitchell, na quarta-feira querer que as conversas comecem imediatamente sem nenhuma "pré-condição."

A carta de Ashton disse que "Abbas está muito próximo" de aceitar conversas diretas. "Em princípio, o presidente Abbas deve estar em posição de dar uma resposta definitiva até domingo ou no começo da semana que vem," acrescentou.

O porta-voz de Netanyahu, Mark Regev, não comentou as notícias da imprensa israelense, que apontaram que a missão de Mitchell para fazer os dois lados conversarem diretamente fracassou na quarta-feira por causa da proposta do quarteto.

"O governo de Israel tem pedido pelo início imediato das conversações diretas de paz entre israelenses e palestinos há mais de um ano," disse Regev à Reuters.

Um diplomata ocidental afirmou que as notícias da imprensa israelense de que Netanyahu rejeitou essa idéia "não mudaram nada."

"Esse permanece o objetivo. É isso que está no ar," afirmou. Diplomatas do quarteto trabalham na redação do comunicado "convidando as partes a voltar às negociações diretas" dentro das linhas da posição do quarteto.

Abbas recusa-se a retomar o diálogo direto a menos que Netanyahu concorde com uma agenda clara. Sem ela, dizem os palestinos, Netanyahu pode propor termos completamente inaceitáveis para um tratado de paz e deixar Abbas numa situação ruim ao rejeitá-los.

(Reportagem adicional de Luke Baker, em Bruxelas)

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