Potências preparam resolução para pressionar Irã na AIEA

As potências mundiais redigiram uma resolução no âmbito da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) pedindo ao Irã que esclareça o propósito de uma recém-revelada usina de enriquecimento de urânio e confirme que não há mais atividades nucleares ocultas, disseram diplomatas nesta terça-feira.

MARK HEINRICH E SYLVIA WESTALL, REUTERS

24 Novembro 2009 | 19h02

A resolução, apoiada por EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha, deve ser apresentada na reunião do conselho diretor da AIEA que começa na quinta-feira. O apoio de Moscou e Pequim é significativo porque esses dois governos habitualmente impedem uma posição unificada contra o Irã no âmbito da AIEA e do Conselho de Segurança da ONU.

Mas não está claro se a resolução terá maioria entre os 35 países que integram a direção da agência, já que quase metade deles pertence a um bloco de países em desenvolvimento que inclui o próprio Irã.

Se aprovada, será a primeira resolução da AIEA contra o Irã em quase quatro anos. Caso seja barrada, pode se tornar uma simples declaração das seis grandes potências.

Em seu último relatório, a AIEA disse que, ao demorar para admitir a existência da usina de enriquecimento de Fordow, o Irã afetou a confiança nas suas declarações de que não realiza mais atividades secretas.

A proposta de resolução pede ao Irã que apresente um cronograma detalhando o propósito original e o projeto da usina, segundo diplomatas familiarizados com seu conteúdo, que pediram anonimato.

O Irã diz que a instalação subterrânea, próxima à cidade sagrada de Qom, irá começar a funcionar com 3.000 centrífugas em 2011, gerando combustível nuclear baixamente enriquecido para reatores nucleares civis.

Teerã afirma que se trata de uma instalação "reserva" que poderia suprir o trabalho da usina de enriquecimento de Natanz, que é muito maior, caso esta venha a ser bombardeada por Israel.

Analistas ocidentais dizem que, por sua pequena capacidade, a usina de Fordow se presta apenas ao enriquecimento de pequenas quantidades de urânio para o uso em uma bomba. As usinas de enriquecimento para fins civis normalmente precisam de dezenas de milhares de centrífugas para gerar o combustível suficiente para abastecer uma usina nuclear.

A construção de Fordow começou em 2007, mas só foi revelada pelo Irã em setembro. O Irã alega ter anunciado a obra com antecedência suficiente, sem violar qualquer regra. A AIEA diz que o anúncio deveria ter sido feito assim que o projeto começou.

Mais conteúdo sobre:
IRA AIEA OCIDENTE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.