Potências pressionam Irã e chefe da AIEA faz 'alerta ao mundo'

Seis grandes potências se uniram nesta quinta-feira para aumentar a pressão contra o programa nuclear iraniano, e o diretor-geral da agência nuclear da ONU afirmou que é seu dever lançar um "alerta ao mundo" a respeito do suposto desenvolvimento de armas atômicas no Irã.

FREDRIK DAHL E SYLVIA WESTALL, REUTERS

17 de novembro de 2011 | 17h53

Após intensas negociações, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Alemanha conseguiram superar a relutância da Rússia e da China, resultando em uma resolução conjunta que deve ser debatida e votada na sexta-feira pelos 35 países que compõem a direção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Para que houvesse acordo, no entanto, as potências ocidentais precisaram desistir de medidas mais concretas contra o Irã, como por exemplo submeter o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Um relatório da AIEA divulgado na semana passada corroborou os temores ocidentais de que o Irã estaria tentando desenvolver armas atômicas. Israel e alguns governos ocidentais disseram que isso justificaria novas punições ao Irã.

O diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, disse que é urgente que o Irã esclareça as dúvidas a respeito das suas atividades, e citou sua intenção de enviar uma delegação de alto escalão ao país para isso.

"Está claro que o Irã tem argumentos a responder", disse Amano em entrevista coletiva em Viena, onde fica a sede da AIEA. "Temos de alertar o mundo antes que a proliferação nuclear realmente ocorra."

O Irã insiste que seu programa nuclear se destina exclusivamente à geração de energia para fins pacíficos, e acusa a AIEA de ser tendenciosa e usar acusações inventadas por governos ocidentais.

Amano disse que os especialistas da agência examinaram minuciosamente as informações disponíveis, a fim de montar um "quadro claro, coerente e consistente" sobre as atividades do Irã. Ele disse que está em contato com as autoridades iranianas para marcar uma "data adequada" para a visita dos técnicos.

Durante a reunião do conselho diretor da agência, Amano disse que "nos últimos três anos obtivemos informações adicionais que nos dão um quadro mais completo sobre o programa nuclear iraniano e aumenta nossas preocupações com as possíveis dimensões militares."

"As informações indicam que o Irã realizou atividades relevantes para o desenvolvimento de um dispositivo explosivo nuclear", disse ele, em sua mais incisiva declaração pública até agora sobre o assunto.

O texto acertado entre as potências, ao qual a Reuters teve acesso, manifesta "profunda e crescente preocupação" com o programa nuclear iraniano, e exige a Teerã que se abra totalmente a inspeções, além de "se envolver seriamente e sem pré-condições em negociações" que levem ao esclarecimento das preocupações ocidentais.

A resolução determina também que Amano volte a apresentar um relatório sobre o tema em março.

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