Potências prometem oferta 'generosa' ao Irã

O chefe da diplomacia da União Européia,Javier Solana, prometeu entregar no sábado uma oferta generosaao Irã para tentar novamente superar o impasse em torno doprograma nuclear do país. Solana chegou a Teerã na noite de sexta-feira paraapresentar o pacote definido no mês passado por seis grandespotências mundiais (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China eAlemanha). Mas a República Islâmica rejeita a hipótese de abrir mão doseu programa de enriquecimento de urânio, que diz serexclusivamente pacífico -- ao contrário do que suspeita oOcidente. Solana disse não esperar "milagres" com a proposta, queestabelece uma cooperação para a energia nuclear iraniana,entre outros benefícios políticos e econômicos. "Viajo a Teerãpara apresentar uma oferta generosa e abrangente", disse ele emnota na sexta-feira. "Estou convencido de que é possível mudar o atual estado decoisas", acrescentou. "Nossa proposta é boa para o futuro doIrã e para o futuro do povo iraniano." Mas a postura iraniana é outra. Em entrevista à agência denotícias Irna, o influente aiatolá Ahmad Khatami disse: "Oresultado dessas negociações certamente nunca será o de o Irãse render às degradantes exigências ocidentais". Os EUA e a UE já alertaram Teerã para a possibilidade demais punições ao país, que já está sob três pacotes de sançõesda ONU. O Irã minimiza o impacto das sanções, dizendo terarrecadado 70 bilhões de dólares neste ano com a venda depetróleo. Mas analistas dizem que o impasse nuclear afeta osinvestimentos estrangeiros no país, onde a inflação anual chegaa 25 por cento. Solana vai se reunir no sábado com o chanceler ManouchehrMottaki e com o negociador nuclear Saeed Jalili. O pacote queapresentará é uma versão melhorada da proposta já rejeitada porTeerã em 2006. Mas Mottaki rejeitou as suspeitas ocidentais de que o Irãestaria mantendo as negociações para ganhar tempo enquantocontinua as atividades nucleares. "O que nos motiva é o desejode estabelecer o diálogo", afirmou. Solana estará acompanhado de representantes das grandespotências, exceto os EUA, que romperam relações com o Irãdepois da Revolução Islâmica de 1979. O presidente dos EUA, George W. Bush, disse nesta semanaque está disposto a resolver o impasse diplomaticamente, masque a opção militar não pode ser descartada. A preocupação com eventuais perturbações no fornecimento depetróleo iraniano ajudou a levar a cotação para níveisrecordes, perto de 140 dólares por barril.

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