Prazo para eleição este ano no Iraque está se esgotando

A Comissão Eleitoral do Iraque disseneste domingo que está se esgotando o prazo para a realizaçãode eleições nas províncias este ano, devido ao atraso doParlamento em aprovar a legislação necessária para a votação. O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, fixou a datade 1 de outubro para as eleições provinciais, as quais vão darimportantes indícios de como os partidos se sairão nas eleiçõesparlamentares, programadas para 2009, e que irão determinar seo próprio Maliki continuará no poder. A Comissão Eleitoral enviou uma carta para ao Parlamentoneste domingo, pedindo que se apresse a ratificar o esboço doprojeto de lei, disse o chefe da comissão, Faraj al-Haidari,falando à Reuters por telefone. "Depois da aprovação da lei, nós precisamos de pelo menostrês meses para nos prepararmos, de modo a poder seguir ospadrões internacionais", disse ele. "Mesmo que a lei passe nos próximos dias, somente poderemosrealizar a votação no fim do ano. Se houver qualquer outroatraso, não poderemos ter eleições este ano." A lei estabelece os procedimentos para as eleições. Estáprevisto que o Parlamento se reúna novamente na segunda-feirapara tentar aprovar a legislação, depois que na semana passadaos deputados entraram em conflito sobre como realizar a votaçãona disputada cidade petrolífera de Kirkuk, no norte do país. O presidente do Parlamento, Mahmoud al-Mashhadani, pediuaos parlamentares que aprovem o texto. O governo norte-americano vê as eleições como vitais parareconciliar as divididas comunidades iraquianas, principalmenteporque aumenta a participação dos árabes sunitas na política. Amaioria dos árabes sunitas boicotou as últimas eleições locais,em janeiro de 2005. "O que está muito claro é que o povo iraquiano quereleições provinciais. Todos os partidos políticos sabem que seforem vistos como causadores da não aprovação da lei, serãoresponsabilizados e seu destino político será afetado", dissena semana passada uma autoridade dos Estados Unidos em Bagdá,pedindo para permanecer no anonimato. Mas Kirkuk continua sendo um assunto espinhoso e háparlamentares que questionam se a votação deveria ser realizadana cidade. Os curdos, que governam a região curda no norte do país,amplamente autônoma, vêem Kirkuk como sua antiga capital equerem que ali seja realizado um referendo para decidir quemcontrola a cidade. Os árabes incentivados a se mudar para Kirkuk durante ogoverno de Saddam Hussein querem que a cidade permaneça sobcontrole do governo central iraquiano. Analistas dizem que as eleições também serão um campo debatalha para a luta de poder entre os xiitas, majoritários nopaís, no sul rico em petróleo. (Por Tim Cocks)

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