Premiê britânico pede a Obama prioridade para Oriente Médio

O presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama precisa ter o processo de paz no Oriente Médio como uma prioridade urgente, disse nesta segunda-feira o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. O atual governo, de George W. Bush, queria chegar a um acordo sobre o Estado palestino no fim deste ano, mas a falta de progresso transferiu as esperanças para uma eventual movimentação de Obama no começo de seu mandato, em janeiro. "Ver os 22 Estados árabes pedirem ao presidente eleito Obama que priorize a aprovação de um plano amplo é, de fato, um acontecimento muito importante", disse Brown a repórteres após um encontro com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad. "Temos uma visão muito parecida... Estamos trabalhando duro para garantir que o progresso seja possível em 2009." A Liga Árabe, com 22 países, escreveu sobre o assunto a Obama na semana passada, e o quarteto de negociadores do Oriente Médio -- Estados Unidos, Organização das Nações Unidas (ONU), União Européia e Rússia -- deve se reunir na ONU nesta segunda-feira. Brown, que deve se encontrar com o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert na terça-feira, voltou a defender a retirada das colônias de Israel em terras ocupadas e o congelamento da expansão dos assentamentos. "Temos pedido consistentemente que Israel desfaça as colônias", disse Brown. "Todos vêem agora o contorno do que seria uma solução binacional... Um dos obstáculos a isso é claramente a questão dos assentamentos." "Espero que nos próximos dias possamos ir mais longe e mais rápido no processo de paz, que todos querem ver acontecer." Olmert, que continuará como premiê interino até a eleição de 10 de fevereiro, tentou desmontar assentamentos ilegais, mas cerca de 300 mil colonos israelenses permanecem na Cisjordânia ocupada, onde vivem cerca de 3 milhões de palestinos. Fayyad, cujo governo apoiado pelo Ocidente está sediado na Cisjordânia, disse que a administração atual está realizando todos os esforços para reconstruir as pontes com o Hamas, movimento islâmico palestino que controla a Faixa de Gaza e está se expandindo pela Cisjordânia. "Tudo que puder ser feito deve ser feito em prol da união do país", disse. "A reconciliação do país é uma exigência absoluta para a reunificação." As tentativas do presidente palestino Mahmoud Abbas de juntar novamente as facções da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para formar um governo de unidade fracassaram apesar de mais de dois anos de negociações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.