Premiê de Israel admite ter recebido dinheiro, mas não renuncia

O primeiro-ministro de Israel, EhudOlmert, admitiu na quinta-feira que recebeu dinheiro de umempresário norte-americano quando era prefeito de Jerusalém,mas disse que não renunciará. Num dia de festa para o país por causa do 60o aniversárioda criação de Israel, a polícia suspendeu o sigilo dainvestigação e divulgou detalhes das acusações que vão aumentara pressão para que ele renuncie. Mesmo que não o faça, a incerteza sobre seu futurodificulta ainda mais o prosseguimento do processo de paz com ospalestinos e cria constrangimentos às vésperas da chegada dopresidente dos EUA, George W. Bush, na semana que vem. Num pronunciamento convocado às pressas na sua casa emJerusalém, já no final da noite, Olmert disse: "Nunca recebisubornos. Nunca peguei um centavo para mim mesmo". "Fui eleito por vocês, os cidadãos de Israel, para serprimeiro-ministro. Não pretendo desprezar essaresponsabilidade. Entretanto, embora não seja obrigado por lei,se o procurador-geral decidir me indiciar, eu vou renunciar." Num ríspido pronunciamento de seis minutos, Olmertconfirmou que recebeu dinheiro do investidor nova-iorquinoMorris Talansky, mas insistiu que se tratava apenas de doaçõespara financiar sua campanha de reeleição à prefeitura da cidadee à liderança do partido Likud. Olmert não respondeu a perguntas dos jornalistas. Minutos antes, a polícia havia dito em nota que "ainvestigação trata das suspeitas de que o primeiro-ministrorecebeu somas consideráveis de dinheiro de um estrangeiro ou deum número de indivíduos estrangeiros ao longo de um períodoprolongado". Um porta-voz policial citou Talansky como testemunha-chave,assim como Shula Zaken, secretário particular de Olmert, e UriMesser, seu ex-sócio num escritório de advocacia. A investigação se refere a fatos ocorridos entre 1998 e2006, ano em que Olmert assumiu o governo. Uma fonte judicial disse à Reuters que as somas envolvidastotalizam centenas de milhares de dólares.

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