Premiê deve formar governo com Hezbollah no Líbano

País está sem um governo funcional desde que coalizão liderada por Hariri venceu as eleições parlamentares

LAILA BASSAM, REUTERS

07 Novembro 2009 | 16h49

Nos próximos dias, o primeiro-ministro libanês, Saad Al-Hariri, deve anunciar um novo governo de união nacional que incluirá membros do Hezbollah, grupo apoiado pela Síria e pelo Irã, dizem políticos do país.

O Líbano está sem um governo funcional desde que a coalizão liderada por Hariri venceu as eleições parlamentares em junho. Hariri tem o apoio dos Estados Unidos e da Arábia Saudita e venceu contra o Hezbollah e seus aliados. Políticos de ambos os lados disseram que Hariri havia realizado um acordo com a oposição para formar o novo governo.

Um governo aceitável para todos os principais partidos é visto como peça fundamental para manter a estabilidade no país.

"O governo está bom como está", disse à estação New TV o membro do parlamento Okab Sakr, que é próximo de Hariri. "É só uma questão de alguns toques finais e sua formação estará completa neste fim de semana."

Outros parlamentares de ambos os lados fizeram afirmações similares, alguns dizendo que pode levar mais uns dois ou três dias antes de se completar o gabinete.

Líderes da oposição, inclusive o chefe do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, concordaram em juntar-se a um ministério proposto durante uma reunião na sexta-feira à noite.

O Hezbollah, que os EUA ainda listam como organização terrorista, participou do último governo.

Um importante assessor do líder de oposição cristã Michel Aoun, encontrou-se com Hariri mais tarde e apresentou a ele a decisão da oposição e sua aceitação das pastas que lhes foram oferecidas pelo primeiro-ministro eleito.

O porta-voz de Hariri Hani Hammoud, descreveu a reunião como positiva e disse: "Espero a formação de um ministério logo."

ACORDO IMPORTANTE

Hariri passou mais de quatro meses tentando fazer um acordo com a oposição para juntar-se a um ministério de união nacional. As relações melhoraram recentemente quando os países que apoiam as facções opostas, Síria e Arábia Saudita, aproximaram-se ajudando a reduzir o conflito no plano local.

Os dois lados concordaram em julho com uma divisão das pastas do novo ministério. Mas Hariri, filho do bilionário Rafik Hariri, que morreu assassinado, teve dificuldades em fechar o acordo por causa de alguns detalhes.

O problema central eram exigências de Aoun, aliado do Hezbollah. O movimento patriótico livre de Aoun tem mais membros no parlamento que qualquer outro partido cristão.

O novo ministério deve incluir 15 ministros da coalizão de Hariri, 10 da oposição, inclusive dois do Hezbollah, e cinco que serão nomeados pelo presidente Michel Suleiman. Entres estes últimos estão inclusos as importantes pastas da defesa e do interior.

Ziad Baroud e Elias al-Murr, atuais ministros e aliados do presidente, devem manter suas pastas do Interior e da Defesa. Novos ministros das Finanças e das Relações Exteriores são esperados.

Hariri havia nomeado Raya Hassan como ministra das Finanças, numa proposta rejeitada pela oposição.

O presidente do Congresso, Nabih Berri, o principal aliado xiita muçulmano do Hezbollah, deve indicar o novo ministro das Relações Exteriores. Espera-se que o professor universitário aposentado Ali al-Shami seja o nome indicado.

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ORMED LIBANO HEZBOLLAH*

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