Premiê do Iraque convida Bento XVI para visitar Bagdá

Violência contra cristãos ocupa visita no Vaticano; Maliki pede ajuda de pontífice para reconciliação interna

Agências internacionais,

25 de julho de 2008 | 09h40

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, convidou nesta sexta-feira, 25, o papa Bento XVI a visitar o Iraque e colaborar no processo de reconciliação interna. Maliki disse ainda que a retirada das tropas americanas do país tem de ser feita de modo que agrade a todos e proteja a soberania do Iraque. O premiê iraquiano, que neste mês sugeriu o estabelecimento de um cronograma para a retirada das tropas dos Estados Unidos, não quis dar aos repórteres nenhuma data específica durante um encontro com o papa Bento 16 na residência de veraneio do pontífice. "Renovamos nosso convite para que Sua Santidade visite o Iraque. Ele agradeceu o convite. E esperamos que ele faça a visita assim que puder", disse Maliki a jornalistas depois de um encontro reservado na residência de verão do pontífice. "A visita dele representaria um apoio aos esforços de amor e paz no Iraque", acresceu Maliki. O antecessor de Bento 16, João Paulo II, quis visitar o Iraque em 2000, mas não recebeu autorização do então ditador Saddam Hussein. Maliki disse que também conversou com o papa sobre o drama da minoria cristã no Iraque. O político também pediu que todos os iraquianos que fugiram da invasão americana de 2003 voltem ao país para ajudar a reconstruí-lo. Segundo a BBC, não existem estatísticas confiáveis, mas a maior parte das estimativas calculam que pelo menos metade dos cristãos no Iraque, que compunham 5% da população do país, ou 1,5 milhão de pessoas segundo um censo de 1997, deixou o país desde o início da invasão comandada pelos Estados Unidos em 2003. Violência contra cristãos O episódio mais famoso de violência contra cristão no país ocorreu em março deste ano, quando Paulos Faraj Rahho, arcebispo caldeu da cidade de Mosul, foi encontrado morto após ter sido sequestrado dias antes. Os caldeus são um dos ramos mais antigos do cristianismo. Suas cerimônias religiosas são feitas em aramaico, o mesmo idioma que se supõe que Jesus Cristo e seus apóstolos falavam. Muitos analistas acreditam que, por compartilhar da mesma religião dos invasores americanos (embora pertençam a ramos diferentes da cristandade) os cristãos iraquianos foram alvo de ódio de outras comunidades. "É inegável que, ao contrário de outros grupos, os cristãos não dispunham de milícias para os proteger", opina Ninos Warda, diretor executivo do Assirian Council of Europe, grupo de pressão que defende os interesses da minoria assíria (muitos deles cristãos iraquianos) no Parlamento Europeu. Para ele, a violência é fruto de uma combinação de fatores que surgiram com a guerra, como pobreza, desespero e influência de estrangeiros que entraram no Iraque. Mesmo assim, Warda crê que uma reconciliação entre as comunidades não é impossível. "A diminuição em termos gerais da violência no Iraque nos últimos meses é bastante positiva", diz. Além do assassinato do líder religioso, muitos outros incidentes contribuíram nos últimos anos para aterrorizar os cristãos iraquianos. Em um único dia de agosto de 2004, por exemplo, cinco igrejas foram alvo de atentados a bomba em diferentes partes do país. "Eu estava em uma delas, a igreja de Karrada (um bairro de Bagdá), com meu filho menor quando o carro bomba explodiu do lado de fora", disse a iraquiana Jamila, que desde outubro daquele ano vive como refugiada na capital do Egito, Cairo. "Ninguém morreu, mas muitos se feriram com os pedaços dos vitrais que caíram para o lado de dentro. Eu e meu garoto de oito anos vimos o olho de uma garota ser arremessado para fora de sua órbita", disse ela, que cita o episódio como apenas mais um dos vários que a motivaram a deixar seu país.

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueBento XVI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.