Premiê do Iraque faz alerta sobre distúrbios sectários sírios

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, alertou para consequências regionais se os protestos na vizinha Síria escalarem e se transformarem em violência sectária ou forçarem uma mudança no governo ao longo de linhas sectárias.

WALEED IBRAHIM, REUTERS

30 Setembro 2011 | 13h56

Suas declarações destacam os temores entre os líderes xiitas iraquianos e seus aliados no Irã de que os tumultos na Síria possam se espalhar para o Iraque ou derrubar o presidente, Bashar al-Assad, levando ao poder um regime muçulmano sunita linha-dura no país vizinho.

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que 2.700 pessoas morreram na repressão da Síria ao longo de seis meses de protestos em grande parte pacíficos, tornando o país um dos mais sangrentos na onda de revoltas que derrubou três líderes árabes este ano.

Assad pertence à seita alauíta, que é minoria no país, um ramo distante do Islã xiita. As relações de Bagdá com Damasco e Teerã foram reforçadas desde a queda do ditador sunita Saddam Hussein depois da invasão norte-americana em 2003.

"Para um Estado pivô como a Síria, cercado por desafios e crises, se a situação interna fica abalada e vira uma guerra sectária ou mesmo ocorre uma mudança ao longo de linhas sectárias, a região como um todo vira uma bagunça," disse Maliki à emissora de televisão al-Manar em uma entrevista transmitida na sexta-feira.

Maliki, um xiita cujo governo compartilha o poder com blocos sunita e curdo, tem respondido de maneira mais cautelosa em comparação com outros líderes árabes, que criticaram Assad e mesmo retiraram enviados da Síria em protesto.

"Acreditamos que a Síria será capaz de superar sua crise através de reformas," disse Maliki. "Nós apoiamos essas reformas."

Desde a queda de Saddam e o surgimento da maioria xiita no Iraque, alguns líderes sunitas falam sobre a emergência de um "Crescente Xiita" que vai do Irã, passa pelo Iraque e pela Síria, e acaba no Líbano controlado pelo Hizbollah.

As relações entre a Síria e o Iraque foram complicadas no passado, com Bagdá frequentemente acusando Damasco de permitir que islamistas árabes sunitas cruzassem a fronteira para atacar forças norte-americanas e iraquianas durante a guerra do Iraque.

Desde então Maliki vem forjando uma relação mais pragmática com Damasco, ganhando o apoio de Assad para o governo de coalizão que ele formou depois de uma eleição indecisa no ano passado.

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