Premiê do Iraque pede que população de Fallujah expulse extremistas

Ao menos seis pessoas morreram em confrontos em áreas sunitas nesta segunda-feira

O Estado de S. Paulo,

06 de janeiro de 2014 | 14h06

BAGDÁ -O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki pediu nesta segunda-feira aos moradores e líderes tribais de Fallujah, cidade sunita a 65 km de Bagdá, para expulsar militantes ligados à Al-Qaeda que ocuparam a cidade nos últimos dias para impedir uma intervenção militar direta no local. Em meio a temores de um ataque do governo, refugiados já deixam a região, que está cercada por militares.

"O primeiro-ministro faz um apelo às tribos e às pessoas de Fallujah para que elas expulsem os terroristas da cidade e, dessa forma, não corram os riscos de um combate armado", afirmou o gabinete de Al-Maliki, por meio de um comunicado.

Dois líderes tribais locais disseram que reuniões estavam ocorrendo com os clérigos e dirigentes comunitários para encontrar uma maneira de convencer os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês) para deixar Fallujah e evitar o derramamento de sangue.

Em pronunciamento na TV, Al-Maliki disse que os bombardeios contra Fallujah têm evitado áreas residenciais. No domingo, confrontos entre o ISIL e forças do governo deixaram 34 mortos na província de Anbar. Líderes tribais sunitas, que durante a ocupação americana ajudaram a expulsar militantes de área da província, estariam lutando ao lado dos fundamentalistas.

Tensão. Os avanços recentes do ISIL no Iraque e o aumento da violência sectária no país representa, segundo analistas, um revés para o governo liderado pelos xiitas, que constituem a maioria da população.

O secretário de Estado americano, John Kerry, em visita ao Oriente Médio, disse no domingo que o governo americano está preocupado com a situação, mas descartou um possível envio de tropas. Já o subchefe de gabinete do Exército do Irã, general Mohamad Hejazi disse ontem que o país pode contribuir com assessores e equipamento militar. A influência iraniana sobre o governo de Al-Maliki é vista com ressalvas por líderes sunitas.

Dois anos depois das tropas americanas terminarem com nove anos de ocupação no Iraque, a violência no país mostra como a guerra civil entre rebeldes sírios, apoiados pela Arábia Saudita, e o governo de Assad, aliado do Irã, tem intensificado as diferenças e os confrontos na região.

Violência. O dia foi de confrontos esporádicos em Ramadi, capital da província de Al-Anbar. Ao menos seis militantes morreram em uma emboscada de uma milícia sunita pró-governo. Segundo o comandante do Exército em Anbar, Rasheed Fleih, seriam necessários até três dias de ofensiva para expulsar os militantes de Fallujah.

Autoridades da área de segurança disseram que Maliki concordou em não ordenar por enquanto a ofensiva para dar mais tempo ao esforço dos líderes tribais de Falluja para retirar os extremistas sunitas da cidade.

"Não foi determinado um prazo específico, mas não se vai esperar para sempre", disse um oficial. "Não estamos preparados para esperar por muito tempo. Estamos falando aqui de dias somente. Mais tempo significa mais força para os terroristas." / AP e REUTERS

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