Premiê do Iraque promete combater milícia xiitas 'até o fim'

Em Bagdá, autoridades impõe toque de recolher durante três dias; protestos pedem renúncia de Nuri Al Maliki

Agências internacionais,

27 de março de 2008 | 17h54

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, prometeu nesta quinta-feira, 27, que seu governo vai combater as milícias xiitas em Basra "até o fim", apesar das enormes manifestações exigindo sua renúncia. A milícia exército Mehdi, ligada ao clérigo Moqtada Al Sadr, continua no controle de grande parte de Basra, segunda maior cidade e principal centro petroleiro do Iraque, apesar dos três dias de ofensiva do governo, que provoca violência em todo o sul do país e em Bagdá. Na capital, as autoridades impuseram toque de recolher durante três dias.     Veja também:Seguidores de Sadr marcham pela queda do premiê iraquianoOcupação do Iraque  Soldados dos EUA falam da vida no Iraque   Sabotadores explodiram um dos mais importantes dutos de exportação de petróleo na região de Basra, interrompendo pelo menos um terço das exportações dos campos de petróleo do sul, segundo um funcionário da empresa responsável. Nos Estados Unidos, a cotação do produto chegou a subir mais de 1 dólar por barril. Maliki, que foi a Basra acompanhar a ação militar, disse a líderes tribais que está passando "uma mensagem a todas as gangues de que o Estado está a cargo do país".     "Entramos nesta batalha com determinação e vamos continuar até o final. Sem recuo, sem conversa e sem negociação." As autoridades impuseram o toque de recolher em várias cidades xiitas. Em Bagdá, as ruas estão vazias e muitas lojas fecharam.  Mais de 130 pessoas morreram e centenas ficaram feridas desde que o governo iniciou a operação militar, na terça-feira, 25, expondo as profundas divisões entre as facções da maioria xiita. Os confrontos praticamente sepultaram a trégua declarada em agosto por Sadr, um dos fatores que ajudaram a conter a violência desde então. Enquanto o governo afirma combater pessoas "fora da lei", seguidores de Sadr acusam os partidos governistas de usarem a força para marginalizar adversários antes das eleições locais de outubro. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, elogiou Maliki por sua "audácia" em realizar a operação, que segundo ele demonstra o compromisso de Bagdá em "impor a lei de maneira equilibrada".  ProtestosEm Bagdá, dezenas de milhares de seguidores de Sadr foram às ruas para exigir a renúncia de Maliki. "O governo não representa o povo. Representa Bush e (seu vice) Cheney", disse um manifestante, na favela de Sadr City, batizada em homenagem ao pai de Sadr. O bairro, com 2 milhões de habitantes, está praticamente sob estado de sítio. "Estamos presos em nossas casas sem água ou eletricidade desde ontem. Não podemos dar banho nas crianças nem lavar a roupa", disse um morador que se identificou como Mohammed.  Houve manifestações contra o governo também nos bairros de Kadhimiya e Shula. Uma fonte do Ministério do Interior disse que centenas de milhares de pessoas participaram. Em Basra, um correspondente da agência Reuters disse que as forças iraquianas isolaram sete bairros, mas estavam sendo repelidos por combatentes do exército Mehdi, enquanto helicópteros sobrevoavam a cidade. Uma fonte do Ministério do Interior disse que 51 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas até agora em Basra. O chefe de polícia da cidade sobreviveu a um atentado a bomba que matou três seguranças.

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