Premiê iraquiano critica possível envolvimento internacional nas eleições

Coalizão de oposição sugeriu a participação de organizações durante a recontagem dos votos

AP

30 de abril de 2010 | 10h26

BAGDÁ - O primeiro-ministro iraquiano criticou severamente nesta sexta-feira, 30, o pedido de seus rivais por um envolvimento internacional na constituição do novo governo depois das acirradas eleições parlamentares, dizendo que tal participação iria prejudicar os esforços do Iraque para conseguir sua total independência.

 

Na última rodada na guerra de palavras no impasse pós-eleições, Nouri al-Maliki também sugeriu algum tipo de conspiração internacional para levar a cabo um golpe através do processo eleitoral.

 

A coalizão xiita de al-Maliki perdeu por apenas dois votos para a coalizão Iraqiya do antigo primeiro-ministro Ayad Allawi's, mas nenhum dos dois obteve poderes o suficiente para governar só, desencadeando discussões extensas sobre a formação do próximo governo.

 

O bloco de al-Maliki requisitou a recontagem dos votos em várias províncias, atitude que foi vista por muitos como uma tentativa de se manter no poder. Ao mesmo tempo, uma comissão responsável por vetar candidatos com ligações com o antigo regime de Saddam Hussein recomendou a desqualificação de diversos eleitos pela Iraqiya.

 

Os acontecimentos fizeram Allawi recomendar o fortalecimento da eleição e a possível formação de um governo provisório internacional para supervisionar o processo que irá determinar o resultado das eleições e a constituição de um novo governo.

 

Até mesmo o ministro das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, sugeriu nessa quinta-feira que a ONU poderia se envolver mais no processo.

 

Mas al-Maliki argumentou nesta sexta-feira que um maior envolvimento de organizações internacionais iria apenas atrasar os esforços iraquianos de terminar o mandato das Nações Unidas e se tornar totalmente independente.

 

Um representando do Grande Ayatollah Ali al-Sistani, o clérigo xiita mais influente no país, respaldou o primeiro-ministro em seu sermão na sexta, e pediu para que os iraquianos resolvam seus próprios problemas, ao invés de se apoiar em forças externas.

 

"Somos os filhos de um país e o fardo só pode ser carregado pelo seu povo", disse o Sheik Abdul-Mahdi al-Karbalaie de Karbala.

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