Premiê iraquiano dá ultimato para rendição de militantes xiitas

Combates entre Exército Mahdi e soldados do Iraque matam mais de 50 pessoas nas últimas 24 horas no país

Reuters e Efe,

26 de março de 2008 | 07h48

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, deu nesta quarta-feira, 26, um ultimato à grupo armado xiita Exército Mahdi, ligado ao clérigo Moqtada al-Sadr, para que abandone as armas em 72 horas, se não quiser receber uma "grave punição". Militantes entraram em confronto com forças de segurança do Iraque em Basra e Bagdá pelo segundo dia seguido nesta quarta, deixando mais de 50 mortos e ferindo centenas de pessoas nas últimas 24 horas. Os combates entre forças do governo e seguidores de Sadr se espalharam para outras cidades do sul do Iraque, onde o clérigo tem forte influência, com o fim do cessar-fogo imposto por ele em agosto ao seu Exército. Veja também:Sadr, líder xiita, ocupa papel-chave para a paz Ocupação do Iraque  Soldados dos EUA falam do cotidiano no Iraque   Em comunicado lido na televisão estatal iraquiana, o primeiro-ministro indicou que "aqueles que foram enganados para pegar em armas devem se render e se comprometer por escrito de que não voltarão a fazê-lo". Autoridades norte-americanas afirmam que o cessar-fogo foi um importante fator na redução da violência nos últimos meses no Iraque, onde militantes xiitas tentam controlar algumas cidades, como Basra, que é rica em petróleo.  Sadr ameaçou uma "revolta civil" em âmbito nacional caso os ataques à sua milícia continuem. Os combates mais sangrentos ocorreram em Basra, onde uma autoridade do setor de saúde disse que 40 pessoas foram mortas e 200 feridas. Na capital Bagdá, uma outra autoridade de saúde disse que 14 pessoas morreram e outras 140 ficaram feridas em combates em Sadr City, favela que leva o nome do clérigo xiita.  Três cidadãos norte-americanos que trabalham para o governo dos EUA em Bagdá ficaram gravemente feridos em um ataque com morteiro na Zona Verde, complexo governamental e diplomático na capital iraquiana, informou uma porta-voz da embaixada norte-americana. A polícia disse que combatentes leais a Sadr tomaram o controle de sete distritos na cidade de Kut, no sul do país. Uma testemunha da Reuters disse ter ouvido o som de combates próximos a um prédio do governo no centro da cidade.  A repressão à milícia de Sadr é a maior operação já conduzida somente por militares iraquianos, sem a ajuda de forças norte-americanas ou britânicas. Trata-se de um importante teste num momento em que Washington pretende trazer de volta 20 mil soldados que servem no Iraque e que as forças britânicas deixaram de atuar militarmente no sul do país, prioritariamente xiita, no ano passado.

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