Premiê iraquiano diz que libertação de arcebispo é prioridade

Líder católico conhecido por insistir na proteção de minorias religiosas foi seqüestrado no último sábado

REUTERS

04 de março de 2008 | 09h00

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, disse nesta terça-feira, 4, que a libertação de um arcebispo da Igreja Católica, sequestrado há quatro dias em uma perigosa cidade no norte do país, é prioridade máxima. Paulos Faraj Rahho, arcebispo da Igreja Católica caldéia de Mosul, na província de Nínive, foi sequestrado na sexta-feira após deixar o templo onde realizara orações. Homens armados atacaram seu carro matando o motorista e dois seguranças. "O primeiro-ministro deu uma ordem para o ministro do Interior e para todas as autoridades de segurança da província de Nínive para que acompanhem o caso e trabalhem muito duro para libertar (Rahho) o mais rápido possível", disse o gabinete de Maliki em comunicado. No sábado, o enviado da ONU ao Iraque, Staffan de Mistura, pediu ao governo iraquiano, dominado por muçulmanos xiitas, para "redobrar seus esforços" para proteger as minorias religiosas no país. O cardeal Emmanuel 3o Delly, patriarca caldeu de Bagdá e líder espiritual dos católicos do Iraque, já criticou no passado o governo xiita por ficar calado enquanto os cristãos eram perseguidos. O gabinete de Maliki disse que o premiê iraquiano escreveu para Delly e expressou "profunda tristeza e pesar" com o sequestro e disse estar monitorando a situação com cuidado. "A parcela cristã do Iraque é um dos componentes básicos da sociedade iraquiana e jamais podemos separá-la de seu povo e civilização", disse Maliki no comunicado. "Qualquer ataque a seus filhos representa um ataque contra todos iraquianos." Os caldeus pertencem a uma facção da Igreja Católica Romana e praticam um antigo ritual oriental. Eles formam a maior comunidade cristã no Iraque. Os cristãos respondem por cerca de 3 por cento da população iraquiana de 27 milhões de pessoas e maioria muçulmana. A comunidade cristã no país tem estado sob ataques em várias ocasiões desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.

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