Premiê iraquiano rejeita divisão administrativa por etnias

Impasse por divisão de recursos financeiros do petróleo e religião podem aumentar violência no país

Efe e Associated Press,

28 de setembro de 2007 | 08h26

O primeiro-ministro iraquiano, o xiita Nouri al-Maliki, rejeitou a proposta do Senado americano a favor da descentralização no Iraque, que garante para cada uma das três grandes comunidades do país - xiitas, sunitas e curdos - uma região semi-autônoma. Segundo o premiê, a medida seria uma catástrofe.  Veja também: O mapa iraquiano Turquia e Iraque se unem para combater rebeldes curdos A resolução, apresentada pelo pré-candidato democrata à presidência Joseph Biden, não obriga Washington a pressionar Bagdá a aceitar a sugestão.Em seu primeiro comentário desde que a medida foi aprovada, na quarta-feira, Maliki reprovou totalmente o projeto americano. "Este é um assunto iraquiano que deve ser definido com a população". "Dividir o Iraque é um problema e uma decisão catastrófica".A atual Constituição iraquiana permite que os xiitas que vivem no sul do país e a comunidade curda que ocupa a região norte sejam considerados poderes autônomos. Porém, o grande impasse do país tem sido as profundas diferenças entre autoridades políticas sobre a exploração e a divisão de lucros dos recursos petrolíferos do IraqueMuitos líderes xiitas e curdos estão ansiosos para implementar estas condições. A minoria sunita do país, que ocupa a região central e de recursos petrolíferos escassos, teme ser prejudicada na divisão do país e dos recursos financeiros gerados pelo petróleo. A grande maioria do Iraque teme ainda o crescimento da violência sectária por conta da divisão étnica e religiosa dos grupos.Al-QaedaMaliki defendeu a sua administração durante a entrevista publicada pelo jornal Al Hayad nesta sexta-feira, 28, e anunciou que os militantes da rede terrorista Al-Qaeda estão começando a fugir do Iraque para outros países."A situação da Al-Qaeda é de total descontrole. Não tem mais bases fortificadas, prisões, tribunais nem instalações de nenhum tipo em Anbar, Diyala, Mossul ou Babel", regiões onde a insurgência sunita é mais forte, disse Maliki.O primeiro-ministro deu a entrevista em Nova York, durante a Assembléia da ONU e revelou que os terroristas "começaram a abandonar o país, rumo ao Irã, Síria, Líbano e Arábia Saudita. Alguns estão voltando para Marrocos e Argélia. Transmitimos a informação para que estes países estejam em alerta", acrescentou.Maliki observou que há poucos dias transmitiu um relatório completo ao governo argelino avisando que a Al-Qaeda "planeja cometer um grave atentado na Argélia".No terreno político, ele defendeu a ação de seu governo, que considerou baseada na reconciliação. "Salvamos o país da guerra sectária. Não há opção além da reconciliação", afirmou Maliki. O governante tem sido acusado de sectarismo, por favorecer os grupos xiitas em detrimento dos sunitas e laicos."Meu slogan desde o início foi enfrentar as milícias armadas. Não faço distinções entre sunitas ou xiitas, árabes ou curdos. Todas as milícias são grupos ilegais em contradição com o conceito de Estado".     

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