Premiê iraquiano se encontra com xiitas radicais em busca de apoio

Com 95% das urnas apuradas, eleições indicam que novo governo terá de formar alianças com coalizões rivais

24 de março de 2010 | 19h39

Associated Press

 

BAGDÁ- O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, se reuniu com um grupo radical xiita que já havia tentado destruir em sangrentas batalhas pelas ruas do país, anunciaram os dois lados nesta quarta-feira, 24, mostrando sua vontade de deixar animosidades de lado para conseguirem a governabilidade do Iraque depois de uma disputada eleição.

 

Um acordo de Maliki com a poderosa Aliança Nacional Iraquiana (INA) também poderia fazer ressurgir a ampla aliança xiita que dominou a política iraquiana por um longo período após a derrubada do sunita Saddam Hussein, em 2003.

 

A divulgação dos resultados finais das eleições parlamentares de 7 de março está prevista para esta sexta-feira, mas nenhuma coalizão tem grandes probabilidades de dominar a assembleia com 325 cadeiras, o que significa que uma aliança governamental terá de ser estabelecida.

 

 

Em um sinal da manobra política, al-Maliki se encontrou nesta quarta com o presidente Jalal Talabani, um curdo, em uma tentativa de trazer apoiadores curdos para o seu lado.

 

Mais tarde, membros da Aliança Nacional Iraquiana deram uma coletiva de imprensa para divulgarem seu encontro com a coalizão rival de Maliki, a Iraqiya, um bloco de sunitas e xiitas liderado pelo ex-primeiro-ministro Ayad Allawi.

 

 

Na noite de terça-feira, Maliki se encontrou com dois representantes dos Sadristas, um grupo radical xiita liderado pelo clérigo anti-americano Muqtada al-Sadr e que faz parte da INA. A organização, que parou de lutar contra as tropas americanas nas ruas para se tornar uma importante força política, supostamente terá a maioria de assentos da INA.

 

 

Al-Maliki também se reuniu com o outro partido principal da aliança xiita, o Supremo Conselho Islâmico Iraquiano.

 

Al al-Adeeb, um candidato do partido de al-Maliki, e um alto oficial sadrista, Karrar al-Khafaji, confirmaram os encontros de terça. Al-Khafaji disse que as negociações com o premiê foram "positivas" e que os dois lados têm "laços comuns".

 

Um outro oficial sadrista que falou sob anonimato, no entanto, criticou as conversações de terça, ao afirmar que nada foi acordado e que os Sadristas ainda são firmemente opostos ao governo de Maliki.

 

Com 95% dos votos apurados, al-Maliki e seus partidários enfrentam uma disputa acirrada com a Iraqyia, coalizão secular xiita que tem grande repercussão entre sunitas pelo seu discurso anti-Irã.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.