Premiê israelense cancela partipação em conferência nuclear em Washington

Netanyahu tomou a decisão após saber que Egito e Turquia abordariam arsenal nuclear israelense na reunião

08 de abril de 2010 | 18h33

Reuters

 

JERUSALÉM- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, cancelou nesta quinta-feira, 8, uma viagem agendada para Washington na próxima semana, onde participaria de uma conferência nuclear com a presença de 47 países na qual o presidente Barack Obama será o anfitrião.

 

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Ele tomou a decisão após tomar conhecimento de que o Egito e a Turquia pretendiam discutir sobre o arsenal nuclear israelense na reunião, de acordo com um oficial do governo.

 

Acredita-se que Israel seja a única potência nuclearmente armada no Oriente Médio. O país nunca confirmou ou negou se possuía tais armas.

 

Israel é um dos quatro países, ao lado de Índia, Paquistão e Coreia do Norte, que não assinaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que conta com 189 signatários.

 

Questão nuclear

 

O ministro de Inteligência e Energia Atômica, Dan Meridor, participará do encontro no lugar de Netanyahu, que começa na próxima segunda-feira e deve durar dois dias.

 

Na terça-feira, os Estados Unidos anunciaram uma nova estratégia de defesa que restringe o uso de seu arsenal nuclear e coloca como prioridade a prevenção da proliferação e do que chamam de "terrorismo nuclear".

 

"A Revisão da Postura Nuclear que estamos divulgando hoje representa um marco na transformação de nossas forças nucleares e na maneira como abordamos as questões nucleares", afirmou, na ocasião, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

 

Nesta quinta-feira, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitry Medvedev, assinaram, em Praga, capital da República Tcheca, o acordo bilateral de redução de seus arsenais de armas nucleares mais significativo em 20 anos.

 

O acordo estabelece que a redução ocorrerá ao longo de sete anos e que cada parte limitará o seu número de ogivas nucleares a 1.550. O novo teto é cerca de 30% menor que o de 2,2 mil ogivas previsto pelo acordo antigo de redução nuclear russo-americano.

 

Rússia e Estados Unidos também se comprometeram a limitar a 700 o número de mísseis balísticos capazes de levar as ogivas nucleares. Atualmente, os EUA possuem 798 desses artefatos, enquanto a Rússia tem 566, menos que o limite.

 

O acordo, que substituirá o Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), assinado em 1991 e expirado em dezembro, ainda precisa ser aprovado pelo Senado americano e pelo Parlamento russo, a Duma.

 

Estima-se que o arsenal americano e russo alcance hoje mais de 2 mil e 2,5 mil ogivas nucleares estratégicas, respectivamente. Durante o período da Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a ter mais de 15 mil ogivas nucleares estratégicas, e a Rússia, mais de 10 mil.

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