Premiê israelense consegue acordo para continuar no poder

Coalizão ameaçava pedir a dissolução do Parlamento; governistas aceitam realizar eleições internas em setembro

Agências internacionais,

25 de junho de 2008 | 09h05

Legisladores israelenses alcançaram um acordo nos minutos finais do prazo imposto pela coalizão do governo que permitirá que o premiê Ehud Olmert permaneça no poder por mais alguns meses. A votação prevista para esta quarta-feira, 25, que dissolveria o Parlamento israelense, foi cancelada após o partido do primeiro-ministro, envolvido em um escândalo de corrupção, se comprometer a realizar eleições internas em 25 de setembro. A polícia israelense investiga Milhares de dólares em doações dadas a Olmert antes de ele assumir o cargo de primeiro-ministro, em 2006. Olmert negou qualquer ilegalidade e prometeu renunciar caso seja indiciado. Contudo, o político sofre pressão para renunciar desde que o empresário americano Morris Talansky confessou ter enviado envelopes com mais de US$ 150 mil (R$ 247,5 mil) em dinheiro para Olmert. Segundo Talansky, parte do valor foi usado para bancar os gostos extravagantes do premiê - o empresário dos EUA, porém, garantiu que nunca recebeu contrapartida pelas doações. O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, tinha dado até o dia 25 de junho para que Olmert renunciasse. Porém, os dois chegaram a um acordo para impedir a antecipação de novas eleições. O primeiro-ministro concordou em convocar eleições primárias em seu partido, o Kadima, no máximo até 25 de setembro. Em troca, Barak, dirigente do Partido Trabalhista, retirou seu apoio a uma decisão adotada por sua legenda de votar a favor da dissolução do Parlamento. O Partido Trabalhista é o principal parceiro do Kadima na coalizão que governa o país. Sem o partido de Barak, o governo perderia a maioria parlamentar. As eleições inicialmente estão previstas para 2010. Barak já afirmou que permanecerá no governo se Olmert for substituído por outro nome do Kadima. Escândalos de corrupção Olmert é investigado por uma série de outras alegações de corrupção, mas nunca foi acusado formalmente ou condenado em nenhum dos casos. Entre eles está uma investigação criminal por suspeitas em torno da compra de um imóvel em Jerusalém. Olmert teria comprado uma casa por preço muito abaixo do valor de mercado, levantando suspeitas de fraude e pagamento de subornos. Em 2004, Olmert comprou uma casa construída pela empreiteira Alumot num bairro de alto padrão da cidade sagrada pelo equivalente a R$ 2,25 milhões, mais de R$ 600 mil abaixo do valor de mercado. A investigação tenta apurar também se pessoas ligadas ao primeiro-ministro ajudaram a construtora Alumot a obter alvarás ilegais de obras dentro de Jerusalém, aumentando consideravelmente os lucros da empresa. Olmert foi prefeito de Jerusalém por dez anos. Em outro incidente, Olmert, quando ministro das Finanças em 2005, teria tentado influenciar a venda do controle do Estado sobre o segundo maior banco do país, o Banco Leumi, em favor de duas pessoas próximas.

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