Premiê israelense diz que Jerusalém nunca será dividida

Forças de Israel destroem assentamento judaico; chanceler diz que colônias não impedem a paz

Agência Estado, Associated Press e Efe,

21 de maio de 2009 | 13h44

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, insistiu nesta quinta-feira, 21, que toda Jerusalém sempre continuará sob a soberania de Israel. Ele se pronunciou durante uma cerimônia que celebrou os 42 anos desde que Israel conquistou o leste de Jerusalém, na Guerra dos Seis dias, em 1967. Ele não se referiu ao pedido dos palestinos para declarar a área como capital do Estado que almejam estabelecer. "Jerusalém unida é a capital de Israel. Jerusalém sempre foi e sempre será nossa. Ela nunca mais será repartida ou dividida", disse Netanyahu.

 

Antes da guerra de 1967, a Jordânia controlava o leste de Jerusalém, enquanto Israel controlava a parte oeste. Pouco depois disso, Israel anexou o leste de Jerusalém, mas não fez o mesmo com outros territórios, como a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

 

Em outro episódio desta quinta-feira, forças israelenses de segurança demoliram um assentamento judaico perto da Cisjordânia, três dias depois de o presidente norte-americano, Barack Obama, dizer a Netanyahu que ele deve interromper os estabelecimentos de assentamentos. Porém, em questão de horas, judeus retomaram a construção de assentamentos. Segundo um porta-voz da polícia, não houve violência nem prisões.

 

"Toda vez que os assentamentos são demolidos, eles são reconstruídos, e isso é o que me conforta", afirmou a moradora Emuna Ben-Yona, cuja mãe foi morta por palestinos seis anos atrás.

 

O ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, assegurou que os assentamentos judaicos em território palestino não são um obstáculo para a paz, ao contrário do que alega a comunidade internacional. "Sempre ouço as pessoas tentando retratar os assentamentos judaicos em Judeia e Samaria (nomes bíblicos e oficiais em Israel da atual Cisjordânia) como um obstáculo para a paz", afirmou o chanceler na Câmara de Comércio israelense, em Tel Aviv. "Eu pergunto: o que acontecia antes de 1967, quando não havia uma única colônia judia? Também não havia paz", ressaltou.

 

Lieberman, líder do partido ultradireitista Yisrael Beiteinu, alegou que a situação anterior ao início da colonização de Gaza e Cisjordânia, após a Guerra dos Seis Dias (1967), era "exatamente" como a atual: "tensão e terrorismo".

 

As declarações do chefe da diplomacia israelense entram em conflito com os critérios da comunidade internacional - incluindo Estados Unidos, o principal aliado de Israel -, que consideram a ampliação dos assentamentos na Cisjordânia ocupada como um obstáculo para a paz. Segundo essas nações, essas construções vão na direção contrária à devolução de território para a criação de um Estado palestino.

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