Premiê israelense é suspeito de novas fraudes financeiras

Polícia diz que Ehud Olmert pode ter buscado vários financiadores para embolsar custo de viagens ao exterior

Agências internacionais,

11 de julho de 2008 | 09h14

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, foi acusado por novas fraudes pela polícia nesta sexta-feira, 11, pois existem "novas suspeitas" de irregularidades financeiras e suborno do premiê. A Justiça acredita que Olmert teve múltiplas fontes para bancar suas viagens internacionais para que ele pudesse embolsar a diferença nos valores, segundo afirmou a polícia em comunicado.  A Justiça investiga milhares de dólares em doações dadas a Olmert antes de ele assumir o cargo de primeiro-ministro, em 2006. Olmert negou qualquer ilegalidade e prometeu renunciar caso seja indiciado. Contudo, o político sofre pressão para renunciar desde que o empresário americano Morris Talansky confessou ter enviado envelopes com mais de US$ 150 mil (R$ 247,5 mil) em dinheiro para Olmert. Segundo Talansky, parte do valor foi usado para bancar os gostos extravagantes do premiê - o empresário dos EUA, porém, garantiu que nunca recebeu contrapartida pelas doações. A polícia afirma que investiga se enquanto foi ministro de indústria e comércio, o atual premiê recebeu teve o financiamento de suas viagens duplicado para lucrar. "Enquanto foi ministro e prefeito de Jerusalém, Olmert é suspeito de ter buscado fundos para suas viagens para o exterior de várias fontes ao mesmo tempo, inclusive do Estado", afirma a nota. Muitos desses financiadores teriam pago pela mesma viagem, acrescenta o comunicado. Olmert foi prefeito de Jerusalém por dez anos até 2003. O novo escândalo pode forçar o premiê a deixar o cargo e prejudicar as negociações de paz com os palestinos, lideradas pelos Estados Unidos. Escândalos de corrupção O americano Morris Talansky admitiu que, ao longo de 13 anos, entregou US$ 150 mil em dinheiro vivo ao líder israelense, que é suspeito de "fraude" e "abuso de confiança". Talansky, de 75 anos, afirmou que os pagamentos ajudavam Olmert a manter seu alto padrão de vida. O premiê é suspeito de ter recebido ilegalmente de Talansky fundos que os noticiários israelenses afirmam chegar a quase US$ 500 mil. Os promotores estão investigando dezenas de milhares de dólares declarados como doação de campanha de executivos americanos a Olmert antes de ele se tornar premiê em 2006. Doações de fora do país não são ilegais, mas as autoridades suspeitam que o primeiro-ministro excedeu o limite legal ou, até mesmo, tenha recebido suborno. Trata-se da quinta investigação aberta sobre as atividades do premiê desde que ele foi eleito. Olmert assegura que o dinheiro foi gasto de forma lícita em várias campanhas eleitorais e assegura jamais ter aceitado subornos.  Olmert é investigado por uma série de outras alegações de corrupção, mas nunca foi acusado formalmente ou condenado em nenhum dos casos. Entre eles está uma investigação criminal por suspeitas em torno da compra de um imóvel em Jerusalém. Olmert teria comprado uma casa por preço muito abaixo do valor de mercado, levantando suspeitas de fraude e pagamento de subornos. Em 2004, Olmert comprou uma casa construída pela empreiteira Alumot num bairro de alto padrão da cidade sagrada pelo equivalente a R$ 2,25 milhões, mais de R$ 600 mil abaixo do valor de mercado. A investigação tenta apurar também se pessoas ligadas ao primeiro-ministro ajudaram a construtora Alumot a obter alvarás ilegais de obras dentro de Jerusalém, aumentando consideravelmente os lucros da empresa. Olmert foi prefeito de Jerusalém por dez anos. Em outro incidente, Olmert, quando ministro das Finanças em 2005, teria tentado influenciar a venda do controle do Estado sobre o segundo maior banco do país, o Banco Leumi, em favor de duas pessoas próximas.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelEhud Olmert

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.