Premiê libanês diz que não pediu ajuda naval aos EUA

Marina americana envia três navios de guerra para a região; Hezbollah diz que medida arrisca a soberania

Agência Estado e Associated Press,

29 de fevereiro de 2008 | 10h09

O primeiro-ministro do Líbano, Fuad Siniora, apoiado por Washington, disse que seu governo não pediu qualquer apoio naval dos Estados Unidos, horas depois de militares americanos anunciarem que estavam enviando navios de combate para águas libanesas.   "Não pedimos qualquer navio de guerra a ninguém", afirmou Siniora a diplomatas árabes na sede do governo em Beirute. Siniora fez a declaração depois que seus opositores do Hezbollah denunciaram que a iniciativa americana colocava em risco a soberania e independência do Líbano, mas não intimidaria o grupo guerrilheiro.   Os Estados Unidos afirmaram na quinta-feira que foram enviados três navios de guerra ao Oriente Médio em uma demonstração de força, por conta das crescente tensão com a Síria e do impasse político no Líbano. O almirante Michael Mullen, dirigente do Estado Maior da Marinha dos EUA, informou que o envio da pequena frota não deveria ser visto como uma ameaça ou como uma resposta à situação política particular de algum país da região.   "Essa é uma região que é importante para nós, o Oriente Médio," disse Mullen, quando questionado sobre reportagens que informavam movimentos da Marinha dos EUA no Mediterrâneo. "É um grupo de navios que irá operar nas vizinhanças, por enquanto," ele disse, acrescentando que "não significa que estamos mandando sinais mais fortes que o próprio envio da frota. Sinaliza apenas que estamos engajados e estaremos nas vizinhanças e essa é uma parte muito, muito importante do mundo."   Um outro oficial americano confirmou mais cedo nesta quinta-feira, sob anonimato, que o contratorpedeiro USS Cole patrulhará o litoral do Líbano. Segundo ele, o navio USS Nassau se juntará em breve ao USS Cole. Ele falou que um terceiro navio se juntará aos dois em seguida, mas não disse o nome da embarcação. O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Gordon Johndroe, disse que o envio da belonave USS Cole é uma maneira "de mostrar apoio à estabilidade regional." Ele acrescentou que o presidente dos EUA, George W. Bush, está "preocupado" com a situação política no Líbano.   A medida aparenta ser uma exibição de força dos EUA no Leste do Mediterrâneo, porque ocorre no momento em que aumenta a frustração internacional por causa de um longo impasse político no Líbano, onde oposição e governo não conseguem chegar a um acordo no Parlamento para eleger o novo presidente. Os EUA culpam a Síria pelo impasse, ao dizer que o governo de Damasco nunca desistiu das suas ambições de controlar o Líbano.   As eleições presidenciais no Parlamento libanês já foram adiadas 15 vezes - no adiamento mais recente, nesta semana, foram marcadas para 11 de março. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, ainda deverá visitar o Oriente Médio na próxima semana.

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