Premiê libanês diz que tentará se manter no cargo apesar da pressão da oposição

Crise política no Líbano teve início após a saída do Hezbollah do governo de unidade nacional

REUTERS

20 de janeiro de 2011 | 17h50

BEIRUTE - O primeiro-ministro interino do Líbano, Saad al Hariri, disse nesta quinta-feira, 20, que tentará formar um novo governo na próxima semana, desafiando a pressão do Hezbollah e de outros grupos para renunciar.

"Eles foram (aos mediadores) com uma só exigência: não é aceitável que Saad al Hariri volte ao governo", disse ele a seguidores.

"Eles colocaram de lado todas as soluções e exigiram que Saad al Hariri seja excluído ... Vamos para discussões constitucionais na segunda-feira, tendo a mim como candidato", afirmou ele sob aplausos.

O Hezbollah e seus aliados deixaram o governo de unidade nacional em protesto contra o possível indiciamento de membros seus pelo tribunal internacional que investiga a morte do ex-premiê Rafik al Hariri, pai do atual ocupante do cargo, num atentado ocorrido em 2005.

A tentativa dele de se manter à frente do governo deve irritar o Hezbollah e os demais grupos de oposição.

"Dissemos que Hariri não deveria voltar e, sim, ele não deveria voltar", afirmou o líder cristão Michel Aoun, aliado do Hezbollah.

Pelo sistema libanês de compartilhamento de poderes, o primeiro-ministro precisa ser um sunita, o presidente do país é um cristão maronita, e o presidente do Parlamento é um xiita.

O presidente Michel Suleiman convocou parlamentares para consultas a fim de nomear um novo primeiro-ministro, e em seguida convocará o candidato com maior apoio a compor um gabinete.

Não está claro se Hariri obterá apoio suficiente até segunda-feira para se manter no cargo.

(Reportagem de Mariam Karouny)

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