Premiê nega declaração de que EUA precisa ficar mais no Iraque

Retirada das tropas americanas está prevista para 2012; para premiê, Iraque é capaz de se defender sozinho

Patrícia Lara, da Agência Estado com agências internacionais,

13 de dezembro de 2008 | 16h57

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, negou neste sábado (13), por meio de um comunicado, declarações de um membro de seu governo de que alguns soldados norte-americanos deveriam permanecer no país por mais 10 anos, a despeito de um pacto de segurança que pressupõe a retirada das tropas dos EUA até 2012.   Nesta semana, o porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh, afirmou a repórteres, em Washington, que as tropas norte-americanas precisariam continuar treinando as forças de segurança iraquianas mesmo após o dia 31 de dezembro de 2011, o deadline acertado por ambas as partes para que as tropas dos EUA deixem o país.   "O que foi anunciado sobre a necessidade de as forças iraquianas precisarem de 10 anos para ficarem em ordem é apenas um ponto de vista pessoal e não representa a opinião do governo iraquiano", afirmou o premiê, por meio de um comunicado divulgado pelo seu gabinete.   Durante uma sessão de perguntas e respostas no Pentágono, em Washington, al-Dabbagh afirmou ainda que o governo do Iraque estaria aberto a negociações que permitiriam manter as tropas no Iraque após o fim do prazo acertado para a retirada.   "Nós entendemos que as forças militares iraquianas não serão construídas em três anos. Nós precisamos de um período maior. Pode ser de 10 anos", declarou o porta-voz.   As declarações reativaram o debate sobre o pacto, que precisa ser referendado pelos eleitores iraquianos até final de julho. Opositores ao acordo afirmam que a presença norte-americana é a principal razão por trás da instabilidade do país. Os comentários de al-Dabbagh, que foram amplamente divulgados no Iraque, podem dar argumentos para os opositores do acordo antes do referendo.   "Acho que al-Dabbagh está alicerçando o caminho para que os prazos mencionados no acordo de segurança sejam revistos", disse o legislador sunita árabe, Dhafir al-Ani.   Nasir al-Saadi, um congressista leal ao clérigo Muqtada al-Sadr, um ferrenho opositor aos EUA, afirmou que os comentários sugerem que o cronograma do pacto de segurança não significa nada.   "Acredito que os comentários al-Dabbagh são os primeiros sinais de que ninguém está aderindo ao cronograma e que os norte-americanos podem ficar além de 2011", disse.   No Bahrein, o vice-primeiro-ministro, Barham Saleh, afirmou que os grupos militares não deveriam acreditar que o país ficará vulnerável após a saída das forças norte-americanas em três anos.   Ele afirmou que o pacto que estabelece a retirada resulta do reconhecimento mútuo de que o Iraque é capaz de se defender por seus próprios meios.

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