Preocupado com impasse, Lula manda Amorim a Teerã

Chanceler brasileiro conversou com Ahmadinejad como mediador entre o país e o Ocidente

Denise Chrispim Marin, da Agência Estado,

03 de dezembro de 2009 | 18h55

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sentenciava nesta quinta-feira, 3, em Berlim, que a Rússia e os Estados Unidos não têm "autoridade moral" para exigir que o Irã não produza armas nucleares, seu chanceler Celso Amorim conversava com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Isfahan, a terceira maior cidade do país. Desempenhando claramente o papel de mediador, Amorim levou a Teerã a preocupação do governo brasileiro com o possível abandono das negociações com o Ocidente e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).  

 

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O Itamaraty fechou-se a qualquer informação adicional. Sua assessoria limitou-se a explicar que o chanceler daria continuidade a "toda a pauta de conversas" travadas entre Lula e Ahmadinejad em Brasília, no último dia 23. Boa parte dessa pauta foi consumida pela questão nuclear. Em especial, pela tentativa do presidente brasileiro de convencer o iraniano a manter o diálogo em torno do acordo de Viena, que possibilitaria a troca de urânio enriquecido no Irã em baixo teor (3,5%) por combustível nuclear vindo do Ocidente e impediria o desenvolvimento de armas atômicas no país.

Sob o temor de não receber o combustível nuclear do Ocidente, Ahmadinejad anunciou em Brasília uma contraproposta - estocar sua reserva de 1.200 quilos de urânio enriquecido na ilha Kirsch e enviar lotes de 400 quilos do produto cada vez que recebesse o combustível para o reator, que produz radiofármacos. Na quarta-feira, 2, em Isfahan, o presidente iraniano advertiu publicamente que seu país não aceitará novas condições do Ocidente e vai enriquecer urânio a 20%.

Outra tarefa do chanceler em Isfahan seria desfazer o constrangimento causado pelo anúncio de que a Petrobrás deixaria seus investimentos no Irã, feito poucos dias antes da visita de Ahmadinejad ao Brasil. Amorim deverá viajar uma vez mais ao Irã, no início de 2010, para preparar a visita oficial do presidente Lula ao país.

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