Presidenciáveis dos EUA debatem sobre Iraque 5 anos após invasão

Cinco anos depois da invasãonorte-americana do Iraque, a impopular guerra provoca ecos nacampanha presidencial dos EUA em 2008, em meio à qual osdemocratas prometem uma retirada antecipada ao passo que osrepublicanos prometem manter o curso atual. Os pré-candidatos do Partido Democrata, Barack Obama eHillary Clinton, disseram que começarão a retirar rapidamenteos soldados norte-americanos do Iraque caso um dos dois vença aeleição presidencial de novembro. John McCain, o candidato doPartido Republicano, defende que os militares permaneçam até oIraque se tornar um país mais estável. Independentemente de quem vença a corrida rumo à CasaBranca, provavelmente haverá dezenas de milhares de soldadosnorte-americanos quando o próximo presidente (ou a próximapresidente) tomar posse, em janeiro de 2009. Os democratas rejeitam com veemência as políticas dopresidente George W. Bush, que optou por manter um contingentemilitar significativo no Iraque a fim de dar tempo ao governoiraquiano para sedimentar-se no poder e acabar com os conflitossectários. De outro lado, apesar de seus pontos em comum, Obama eHillary tampouco concordam totalmente a respeito do Iraque. O senador Obama diz que o fato de Hillary, como senadora,ter votado a favor do uso da força no território iraquianomostra que a pré-candidata perdeu legitimidade ao falar sobre aquestão. Já a pré-candidata diz que seu adversário de partido,além de ter discursado contra a guerra, atuou de formasemelhante a ela no Senado. Os dois afirmaram que começarão a retirar os soldados doIraque a uma velocidade de uma ou duas brigadas por mês,colocando fim à operação naquele país dentro de um período de12 a 16 meses. No entanto, surgiram dúvidas sobre as declarações de Obamaquando uma assessora dele para questões de política externa,Samantha Power, afirmou, segundo meios de comunicação, que opré-candidato talvez não conseguisse cumprir suas promessas decampanha. Os comentários de Power, que renunciou a seu cargo maistarde após ter chamado Hillary de "monstro", alimentou asacusações feitas pelos assessores da senadora sobre Obama terum discurso vazio de conteúdo. "Mais uma vez, parece que o senador Obama está dizendo aoseleitores uma coisa ao passo que os assessores dele afirmam queessas palavras não deveriam ser levadas a sério", disse ocomitê de campanha de Hillary. EXPERIÊNCIA Obama acusou a adversária de tentar confundir os eleitores. "A verdade é que eu desejo ser tão cuidadoso na retiradaquanto fomos descuidados na invasão. Quero ter certeza de quenossas forças ficarão protegidas e em segurança durante aretirada. E não quero ver o Iraque entrando em colapso",afirmou. Segundo McCain, nenhum dos dois democratas possui aexperiência necessária para enfrentar os encargos da área desegurança quando à frente da Casa Branca. O republicano acusouObama e Hillary de defenderem uma rendição no Iraque. "O próximo presidente tem de explicar como pretendeterminar com aquela guerra da forma mais rápida possível semexacerbar um conflito sectário que poderia descambarprontamente para um genocídio", afirmou McCain na semanapassada. Cinco anos atrás, quando enviou suas forças para invadir oIraque, Bush contava com o apoio da maioria dosnorte-americanos. Mas o objetivo declarado daquela invasão, acabar com assupostas armas de destruição em massa do Iraque, baseava-se eminformações erradas. E, depois da morte de quase 4.000 soldadosdos EUA e do gasto de bilhões de dólares com o conflito, muitosnorte-americanos passaram a criticar o atual presidente.

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