Presidente da Cruz Vermelha visita a Faixa de Gaza e Israel

Entidade volta a afirmar que acesso aos feridos nos confrontos continua limitado pelos militares

Agência Estado e Dow Jones,

13 de janeiro de 2009 | 11h33

O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jakob Kellenberger, chegou nesta terça-feira, 130 à Faixa de Gaza para uma visita de três dias aos territórios ocupados e a Israel, informou a entidade. Kellenberger planeja reunir-se com o altos funcionários dos governos israelense e palestino e também visitar o hospital Al-Shifa na Faixa de Gaza, informou um comunicado. O CICV, que tem o duplo papel de agência humanitária em conflitos e de guardião das Convenções de Genebra, tem sido bastante crítico nas últimas semanas sobre o impacto dos confrontos sobre os civis e os trabalhadores da área da saúde.   Veja também:  Aumenta suspeita do uso de armas ilegais no conflito em Gaza Tropas de Israel intensificam ações nos subúrbios de Gaza Secretário-geral da ONU lidera esforço diplomático Tropa fica sob fogo vindo da Jordânia, afirma Israel Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        Na última quinta-feira, a agência acusou Israel de ter fracassado em sua obrigação, sob a lei humanitária internacional, de cuidar dos feridos. A acusação foi feita depois que um grupo de pessoas feridas e mortas foi encontrado nas proximidades de uma posição do Exército israelense. O CICV também divulgou ao público suas preocupações sobre o número de vítimas e de prédios civis atingidos, dentre eles hospitais, danificados durante os confrontos, destacando que a lei internacional proíbe o ataque a civis. Kellenberger tem feito repetidos pedidos para que haja fluxo irrestrito de ambulâncias por uma passagem segura.   A entidade disse nesta terça-feira, num relatório diário, que o acesso aos feridos continua limitado em razão dos confrontos entre as forças israelenses e os militantes do palestino Hamas. "Nós temos agora que estudar caso a caso para ver se podemos prosseguir com uma missão de resgate para retirar pessoas", disse Antoine Grand, chefe do escritório do CRC em Gaza.   Mais de 28 mil desabrigados procuraram refúgio em escolas, transformadas em abrigos temporários, enquanto os alimentos tornam-se escassos e os estoques de combustível para os geradores de energia do hospital Al-Shifa caem. "Muitos dos feridos chegam com traumas múltiplos e o número de amputações está subindo", disse Palina Asgeirsdottir, representante do CICV no hospital. O grupo de cirurgiões do CICV "confirma a elevação do número de crianças que chegam ao pronto-socorro.   União Europeia   Israel não está respeitando as leis humanitárias internacionais na Faixa de Gaza, onde não concede proteção suficiente à população civil, afirmou um comissário da União Europeia (UE) em comentários publicados nesta terça-feira. "As evidências, com as quais peritos concordam e denunciam, mostram que Israel não está respeitando as leis humanitárias internacionais", disse o Comissário de Ajuda Humanitária da UE, Louis Michel, ao jornal belga La Libre Belgique. "A primeira obrigação é que um poder ocupante deve preservar a vida da população, protegê-la, alimentá-la e tomar conta dela. Esse não é, claramente, o caso", disse Michel. "Eu não posso aceitar isso"   Os comentários foram feitos no dia em que o Exército de Israel iniciaram o 18º dia de sua ofensiva contra os militantes do Hamas na Faixa de Gaza. Os confrontos deixaram mais de 900 mortos, dentre eles um número significante de mulheres e crianças palestinas. "É ainda mais difícil de aceitar quando (essas atitudes) provêm de uma democracia", como Israel, disse o comissário belga da UE.   Em seus comentários, Michel parece distanciar-se da decisão da UE tomada no mês passado de intensificar suas relações com Israel, uma medida que na época foi criticada pela Autoridade Palestina. "Nós precisamos ser cuidadosos em não usar instrumentos que possam incentivar um dos dois lados. A ideia é que somos capazes de uma aproximação balanceada", disse Michel.

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