Presidente de Israel diz que ataque do país ao Irã é 'sem sentido'

Durante encontro com enviado de Obama, Peres afirma que solução para o conflito com Teerã não é militar

Agências internacionais,

16 de abril de 2009 | 06h56

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou nesta quinta-feira, 16, que seu país não tem planos de atacar o Irã, apesar da oposição frontal ao programa nuclear desenvolvido Teerã, informa a imprensa local. Em reunião esta manhã com o enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, Peres esclareceu que "tudo o que se diz sobre um possível ataque ao Irã é sem sentido" e que "a solução no Irã não é militar".

 

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O governo de Barack Obama tem defendido um diálogo de Washington com Teerã a respeito da questão nuclear iraniana, algo que gera ceticismo em Israel, onde muitos veem a eventual bomba atômica iraniana como uma ameaça mortal. Teerã nega repetidamente a intenção de desenvolver um arsenal nuclear, afirmando que seu programa atômico se destina apenas à geração de eletricidade com fins civis.

 

A formação de um governo direitista em Israel sob a liderança de Benjamin Netanyahu redobrou a preocupação internacional de que Israel poderia realizar por conta própria ataques "preventivos" contra o Irã, mesmo enfrentando a oposição do governo Obama. Mas o gabinete de Peres divulgou a seguinte declaração dele ao representante de Obama para a região, George Mitchell: "Toda a conversa sobre um possível ataque de Israel ao Irã é sem sentido. A solução no Irã não é militar."

 

Para Peres, é necessária uma ampla cooperação internacional para lidar com as vontades iranianas e que é preciso avaliar a sinceridade de Teerã em suas conversas. As declarações do presidente israelense são feitas dias depois de o secretário de Defesa americano, Robert Gates, declarar que um eventual ataque israelense não acabará com as ambições nucleares do Irã.

 

Mitchell, por sua parte, expressou a Peres que o governo Barack Obama está totalmente comprometido com a segurança de Israel e com uma solução de dois Estados para conflito palestino-israelense. O americano se encontra nesta quinta-feira na região onde tem fixada uma acirrada agenda de reuniões com os líderes israelenses, antes de ir nesta sexta-feira aos territórios palestinos.

 

Como chefe de Estado, Peres tem uma função cerimonial, sem poderes executivos, mas está muito envolvido no atual processo político. Como chefe da Defesa israelense, na década de 1950, Peres teve participação ativa na aquisição do reator francês hoje instalado em Dimona, onde Israel supostamente desenvolveu uma bomba atômica. O atual presidente também já foi primeiro-ministro e chanceler.

 

Um porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recusou-se a comentar as declarações de Peres, que defendeu uma "ampla cooperação internacional" na questão iraniana. "É do nosso interesse comum que, por meio do diálogo com o Irã, o mundo descubra se há uma oportunidade no Irã, ou se o Irã está blefando", afirmou.

 

O governo norte-americano se mostra cada vez mais arredio à hipótese militar contra o Irã. Nesta semana, o secretário de Defesa, Robert Gates, afirmou que um ataque às instalações militares do país poderia adiar em até três anos o desenvolvimento atômico iraniano, mas por outro lado iria "cimentar sua determinação de ter um programa nuclear, e também construiria em todo o país um ódio imortal contra quem o ataque."

 

Para Gates, o Irã só vai desistir de desenvolver armas nucleares se "os próprios iranianos decidirem que isso é custoso demais". "Precisamos buscar todas as formas de aumentar o custo desse programa para eles, por meio de sanções econômicas e outras coisas."

 

Matéria atualizada às 11h25.

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