Presidente do Afeganistão nega ter sugerido adiamento de eleição

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, negou nesta segunda-feira que tenha sugerido adiar as eleições marcadas para abril do próximo ano para evitar que eleitores deixem de votar por causa das nevascas em algumas partes do país, como foi dito por organizadores do pleito.

JESSICA DONATI E HAMID SHALIZI, Reuters

02 de dezembro de 2013 | 16h52

O presidente da Comissão Eleitoral Independente (CEI) disse ao Parlamento que Karzai sugeriu adiar as eleições devido a preocupações com as nevascas, que poderiam impedir eleitores de irem às urnas. O porta-voz de Karzai, no entanto, negou que uma mudança de data tenha sido discutida.

"O presidente nunca irá interferir nos assuntos da comissão eleitoral, nem permitiria que outras pessoas o fizesse", disse Aimal Faizi.

A perspectiva de um atraso provavelmente preocuparia os Estados Unidos e os críticos de Karzai, que temem que ele possa estar tentando estender o seu segundo e último mandato.

Karzai está impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato e até agora se absteve de apoiar qualquer um dos candidatos, embora ele deva apoiar seu irmão mais velho Qayum, visto como um dos favoritos.

O presidente também se recusou a assinar um pacto que prevê a manutenção de tropas dos EUA no Afeganistão após 2014, quando a maioria dos militares internacionais deixará o país. Sua opinião de que o acordo pode ser firmado depois das eleições é vista por alguns como uma evidência de sua relutância em sair do centro das atenções.

"A respeito do clima, há preocupações", disse no domingo o presidente da Comissão Eleitoral Independente, Yousof Nooristani, ao Senado afegão.

"Até o presidente sugeriu que poderíamos fazer mudanças (na data), porque ele recebeu queixas das pessoas. Eu lhe disse que não poderíamos, porque a data está marcada com base na Constituição e na lei eleitoral."

Mas embora a lei estabeleça que a data não possa ser alterada, um membro da CEI, nomeada pelo governo para organizar a votação, disse que o pleito pode ser adiado se houver risco de que o mau tempo inviabilize a participação de um grande número de eleitores.

"Isso é possível, mas uma coisa está clara. Estamos tentando não dizer isso, é prematuro", disse o comissário à Reuters, pedindo anonimato por não estar autorizado a dar declarações à imprensa.

Críticos afegãos e diplomatas, no entanto, há muito temem que Karzai possa usar o mau tempo ou a falta de segurança como ferramenta para adiar a eleição que marcará a primeira transferência democrática de poder desde a queda do Taliban em 2001.

Mas o porta-voz da CEI disse que nem os organizadores nem o presidente têm autoridade para alterar a data.

"Alguns membros do Senado perguntaram ao presidente (da CEI) se a data poderia mudar por causa da questão do clima, no norte do país", disse o porta-voz da comissão, Noor Mohammad Noor.

"Ninguém pode ter autoridade para alterar data e hora, porque está muito claro na Constituição."

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