Presidente eleito do Afeganistão promete unidade após eleição contestada

O presidente eleito do Afeganistão prometeu pôr fim à disputa política e à corrupção em um discurso nesta segunda-feira, seu primeiro desde que assinou um acordo de divisão de poder com seu rival com o objetivo de encerrar meses de tumultos.

HAMID SHALIZI E KAY JOHNSON, REUTERS

22 de setembro de 2014 | 18h26

“A estabilidade do Afeganistão é o mais importante para nós”, declarou o ex-ministro das Finanças Ashraf Ghani em seu discurso no palácio presidencial em Cabul. “Vamos erguer esta nação e deixar o passado para trás”.

Ghani foi declarado presidente eleito no domingo depois de firmar um acordo mediado pelos Estados Unidos para compartilhar o poder com seu adversário, o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah.

Abdullah se queixou de fraudes em massa na votação do segundo turno em junho, e a rivalidade ameaçava desestabilizar o país num momento em que as tropas estrangeiras estão de partida.

Segundo os termos do entendimento, Ghani irá dividir o governo com um executivo-chefe nomeado por Abdullah. Os dois irão compartilhar o controle de instituições cruciais, como o Exército, e outras decisões executivas.

O gabinete de Ghani precisa formar um governo na esteira de muita recriminação mútua, assim como lidar com o recrudescimento da insurgência do Taliban.

Nesta segunda-feira, o Taliban repudiou o acordo para o governo de união como uma “farsa” orquestrada pelos EUA, e prometeu levar adiante sua guerra contra o governo afegão e as forças norte-americanas que o apoiam.

“Instalar Ashraf Ghani e formar um governo de mentira jamais será aceitável para os afegãos”, declarou o porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid, em um comunicado enviado por e-mail aos jornalistas.

“Os norte-americanos precisam entender que nosso solo e nossa terra pertencem a nós, e que todas as decisões e acordos são feitos pelos afegãos, não pelo secretário de Estado ou o embaixador de seu país”, disse.

“Rejeitamos o processo norte-americano e prometemos continuar nossa jihad até libertarmos nossa nação da ocupação e pavimentar o caminho para um governo puramente islâmico.”

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, conversou por telefone com os candidatos rivais durante semanas para induzi-los a fazer concessões, e o presidente, Barack Obama, também fez um apelo por um acordo de união.

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