Presidente Karzai parece disposto a aceitar 2o turno afegão

A comissão eleitoral do Afeganistão se prepara para anunciar nesta terça-feira o resultado final da eleição presidencial de agosto, e o presidente Hamid Karzai, sob crescente pressão internacional, parece disposto a aceitar um segundo turno.

JONATHON BURCH, REUTERS

20 de outubro de 2009 | 11h05

Karzai se prepara para fazer um pronunciamento na própria terça-feira, deixando claro que aceitará o segundo turno, um dia depois de uma comissão patrocinada pela ONU invalidar dezenas de milhares de votos que poderiam lhe dar a vitória em primeiro turno.

Houve suspeitas de fraude generalizada na votação de 20 de agosto, e o impasse pós-eleitoral gerou tensão entre Karzai e seus aliados ocidentais, além de complicar a definição de uma nova estratégia militar norte-americana no país, que pode resultar no envio de dezenas de milhares de soldados adicionais.

Exatamente dois meses depois da eleição, há uma intensa diplomacia nos bastidores, em Cabul, para que o atual presidente aceite disputar o segundo turno contra seu principal rival, o ex-chanceler Abdullah Abdullah.

A Comissão Eleitoral Independente (CEI), um órgão nomeado pelo governo, deve anunciar os resultados finais na terça-feira, depois de ter recebido na véspera um relatório da Comissão de Queixas Eleitorais (CQE), subordinada à ONU, que investigou as suspeitas de fraude.

Pela lei afegã, o segundo turno deve ocorrer num prazo de duas semanas depois do anúncio da CEI, mas a aproximação do rigoroso inverno afegão talvez inviabilize a nova votação.

Observadores eleitorais e diplomatas estrangeiros disseram na segunda-feira que, depois das impugnações do CQE, a votação total de Karzai caiu de 54,6 para 48,3 por cento, o que levaria à necessidade de segundo turno contra Abdullah, cuja votação subiu de cerca de 28 para 31 por cento.

Fontes ocidentais já vinham dizendo que Karzai deveria aceitar a imposição de um segundo turno pela CEI. Há quem sugira também que seja formado um governo de coalizão para encerrar as várias semanas de impasse político, um cenário que, segundo analistas, pode fortalecer a insurgência do Taliban.

A campanha de Abdullah disse que ainda não voltou a discutir um governo de unidade nacional com o grupo de Karzai, cujos assessores não quiseram se manifestar.

"Se a CEI anunciar formalmente o segundo turno, o que é a nossa conclusão (...), poderemos reavaliar a situação e então poderemos cogitar conversar (sobre o governo de unidade)," disse Fazel Sancharaki, porta-voz de Abdullah.

Em reuniões reservadas nesta semana com o senador norte-americano John Kerry, o próprio Karzai disse que estaria aberto a disputar o segundo turno contra Abdullah, segundo fontes ocidentais.

Analistas dizem que Karzai, da etnia pashtun, a maior do Afeganistão, deve vencer a nova votação. Mas a dimensão da fraude no primeiro turno pode lançar uma sombra sobre a legitimidade do seu mandato.

(Reportagem adicional de Golnar Motevalli em Cabul, Sue Pleming, Arshad Mohammed e Jeff Mason em Washington e Louis Charbonneau na ONU)

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