Presidente sírio nomeia novo premiê; rebeldes recuam em Aleppo

O presidente da Síria, Bashar al Assad, nomeou nesta quinta-feira um novo primeiro-ministro para substituir o desertor Riyad Hijab, enquanto suas forças expulsavam os rebeldes de um bairro estratégico de Aleppo, maior cidade do país.

HADEEL AL SHALCHI E SULEIMAN AL-KHALIDI, Reuters

09 de agosto de 2012 | 17h37

Wael al Halki, sunita oriundo da província de Deraa (sul), que foi há 17 meses o berço da rebelião síria, irá chefiar o gabinete no lugar de Hijab, que fugiu para a Jordânia na segunda-feira depois de passar apenas dois meses no cargo.

A deserção de Hijab foi mais um golpe duro para o regime de Assad, que já estava abalado desde o mês passado, quando um atentado em Damasco matou quatro integrantes do primeiro escalão do governo e os rebeldes passaram a controlar partes de Aleppo e grandes extensões rurais.

Mas nas últimas semanas Assad promoveu uma contraofensiva nas duas maiores cidades sírias. As forças do governo já reafirmaram seu controle sobre a maior parte de Damasco, e agora avançam em Aleppo.

Combatentes rebeldes no bairro de Salaheddine, no acesso sul da cidade, disseram que foram obrigados a recuar das suas posições nesta quinta-feira, após intensos bombardeios que destruíram alguns prédios.

"Houve algumas retiradas dos combatentes do Exército Sírio Livre em Salaheddine", disse o comandante rebelde Abu Ali. Outros afirmaram que as principais linhas de frente na área, que passou mais de uma semana sob o domínio rebelde, estavam agora desertas.

O centro do bairro, perto da mesquita, estava vazio quando jornalistas da Reuters passaram por lá, nesta quinta-feira. O único som era o eco constante dos disparos de artilharia. Não havia rebeldes nem forças de segurança, apenas alguns moradores num frenético vaivém, tentando apanhar seus pertences e escapar dos franco-atiradores.

Os rebeldes barraram um homem que tentava verificar sua casa. "Eles estão alvejando quem eles veem. Volte pela sua segurança, pelo amor de Deus", disse um rebelde ao homem, que voltou.

As ruas estavam cobertas de vidro e entulho. Os carros estavam amassados pelo reboco que caía, e o cheiro ruim do lixo e dos cadáveres permeava a área.

Um comandante rebelde que não quis se identificar disse que 250 pessoas foram mortas em Salaheddine nos últimos três dias, principalmente por bombardeios e ataques aéreos.

BOMBARDEIOS

Apesar da violência, a Cruz Vermelha entregou alimentos e suprimentos médicos em Aleppo pela primeira vez em várias semanas.

Em Tel Rifaat, 35 quilômetros ao norte, jornalistas da Reuters viram um caça sírio mergulhando e disparando foguetes, levando os moradores a fugirem em pânico. Explosões ecoavam, e uma fumaça escura se ergueu de um olival. Um caminhão foi engolido pelas chamas. Seis crianças e uma mulher que gritava fugiam do seu casebre. Uma mulher levava o Corão e o beijava, e outra batia com as mãos na cabeça. Homens olhavam para o céu e agitavam os braços em desespero.

Na frente diplomática, o Irã reuniu representantes de países aliados de Assad, com o objetivo de buscar soluções para o conflito.

O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, defendeu negociações "sérias e inclusivas" entre o governo sírio e grupos de oposição. Assad repetidamente diz estar disposto ao diálogo, mas promete esmagar os rebeldes armados, que ele chama de terroristas.

Os oponentes de Assad dizem que sua renúncia é uma pré-condição para qualquer negociação, e que qualquer diálogo será inútil enquanto a violência persistir.

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