Presidente tenta formar governo; Maliki resiste a deixar cargo no Iraque

Críticos têm acusado Maliki de perseguir uma agenda sectária que isola a minoria sunita, favorecendo o crescimento dos radicais do Isil

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 09h49

( Atualizada às 12h23) BAGDÁ - O presidente do Iraque, o curdo Fouad Massoum, convidou nesta segunda-feira, 11, o xiita Haider al-Abadi, para formar um novo governo em um prazo de 30 dias, em uma nova etapa da crise política do país, em meio ao avanço dos radicais do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil) em áreas curdas e sunitas. 

O primeiro-ministro Nouri al-Maliki hesita em deixar o cargo e acusa Massoum de aplicar um golpe no processo político. Apesar de insistir que deva ser nomeado para um terceiro mandato, Maliki tem perdido apoio da vários partidos xiitas de sua coalizão e dos Estados Unidos, que se mostraram favoráveis à decisão de Massoum de convidar outro líder xiita para formar o governo. Por lei, o premiê iraquiano deve ser xiita, o presidente, um curdo, e o presidente do Parlamento, um sunita. 

Acusado de alimentar a violência sectária por favorecer os xiitas, o premiê  fez um pronunciamento na TV no domingo à noite no qual acusa o presidente de etnia curda de atrasar o processo constitucional que prevê a nomeação de um primeiro-ministro após as eleições parlamentares de abril. 

Al-Abadi, por sua vez, prometeu formar um governo para proteger o povo iraquiano. Ele tem o apoio da Aliança Nacional Iraquiana, coalizão xiita da qual o partido de Maliki faz parte. 

A nomeação ocorreu hora depois de Maliki mandar tropas de elite da polícia a ruas de Bagdá normalmente usadas em protestos da oposição. Em outros pontos da capital, partidários do premiê se manifestaram pela sua permanência no cargo. "Estamos com você, al-Maliki", gritavam.
 
Os Estados Unidos reforçaram os pedidos para que os iraquianos formem um novo governo de coalizão e concentrar esforços na luta contra o Isil.  "O processo de formação de um governo é crítico em termos de garantir a estabilidade e a calma no Iraque, e nossa esperança é que o sr. Maliki não conturbe esse processo", disse o secretário de Estado dos EUA, John Kerry.  "Haverá pouco apoio internacional de qualquer espécie que seja a qualquer coisa que desvie o processo constitucional legítimo que está em voga e sendo trabalhado agora." / REUTERS e AP

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