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Pressão por Sakineh busca afastar Irã de Brasil e Turquia, diz Teerã

Porta-voz da chancelaria diz que nações não têm o direito de opinar sobre assuntos internos

estadão.com.br

17 de agosto de 2010 | 09h22

TEERÃ - O governo do Irã disse nesta quarta-feira, 17, que a pressão internacional relacionada ao caso da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por adultério, seria parte de um plano para enfraquecer o relacionamento entre o país, o Brasil e a Turquia. 

 

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"Quando forem reveladas mais informações sobre este caso se concluirá que a atmosfera sendo criada por governantes ocidentais e a imprensa é um plano para causar problemas aos estreitos laços de Irã, Brasil e Turquia", disse o porta-voz da chancelaria iraniana Ramin Mehmanparast.

 

Segundo o porta-voz, os países ocidentais tentam interferir em assuntos internos do Irã. "Os países independentes não nos permitem interferir em seus assuntos judiciais. Esses países não devem pressionar nem dar tanta atenção ao caso", disse Mehmanparast.

 

Ainda de acordo com ele, a opinião do governo é de que a posição desses países sobre o caso é "irracional e tem um enfoque politizado".

 

Na segunda-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, expressou opinião semelhante em uma entrevista na televisão. "Creio não haver necessidade de criarmos problemas para o presidente Lula e levarmos o caso para o Brasil. Preferimos exportar para o Brasil a nossa tecnologia, e não esse tipo de gente", disse o iraniano.

 

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, embora esteja temporariamente suspensa por conta do mês sagrado do Ramadã. As autoridades acrescentaram ao caso da iraniana a acusação de conspiração para a morte de seu marido. A decisão final sobre o caso deve sair no próximo sábado, 21.

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Com BBC Brasil

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