Principal bloco sunita deixa governo do Iraque e agrava crise

Retirada representa duro golpe para premiê iraquiano e para o processo de reconciliação nacional dos EUA

REUTERS

01 de agosto de 2007 | 10h41

O governo do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, formado há 15 meses e liderado por xiitas, enfrenta nesta quarta-feira sua maior crise, depois que o principal bloco árabe sunita no Parlamento retirou seu ministros do gabinete.    Dois atentados matam pelo menos 67 no IraqueA Frente do Acordo Sunita anunciou sua retirada da coalizão liderada pelo xiita Maliki devido ao fracasso dele em atender a uma lista de exigências, inclusive a de dar maior influência aos sunitas nas questões de segurança.Os 44 parlamentares do bloco vão permanecer no Parlamento. Uma vez que Maliki precisa apenas de maioria simples para governar, a retirada terá pouco efeito prático sobre a administração, montada há 15 meses e atualmente praticamente paralisada devido às disputas internas.Mas a precária coalizão está sob pressão dos EUA e de seus aliados para conter a disputa sectária entre xiitas e sunitas. Washington está descontente com o ritmo da tramitação de leis destinadas a integrar os sunitas, privilegiados no extinto regime de Saddam Hussein, ao processo político.  "Esta é provavelmente a crise política mais séria que enfrentamos desde a aprovação da Constituição. Se não for resolvida, as implicações serão graves", disse à Reuters o vice-primeiro-ministro Barham Salih, que é curdo.As negociações sobre a nova Constituição do Iraque, adotada em um referendo de outubro de 2005, foram difíceis. Autoridades dos Estados Unidos e de outros países fizeram muitos esforços para convencer a minoria árabe sunita a participar da votação e das eleições nacionais de dezembro de 2005, que levou os xiitas ao poder. Também nesta quarta, a detonação do caminhão de combustível, que estava cheio de explosivos, aconteceu no bairro de Mansour, zona oeste de Bagdá. Além dos 50 mortos, há cerca de 60 feridos. A polícia disse que o militante atraiu motoristas para o caminhão, com a promessa de vender combustível - uma versão anterior dava conta de que ele investira contra uma fila de carros.

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