Processo de paz sem o Hamas não é viável, diz ONU

Um processo de paz palestino que nãoinclua o Hamas não poderá ser viável, disse na quarta-feira adiretora da agência da ONU para refugiados palestinos. Karen AbuZayd, diretora da Agência de Auxílio e Obras daONU, disse que é preciso mais empenho político para resolver adivisão entre as facções palestinas Fatah (laica, que controlaa Cisjordânia) e Hamas (islâmica, dominante na Faixa de Gaza). Questionada em entrevista coletiva sobre a viabilidade deum processo de paz sem o Hamas, AbuZayd respondeu: "Não achoque seja nada viável e acho que é isso que os própriospalestinos estão dizendo, inclusive as autoridades palestinasem Ramallah (capital da Cisjordânia)." Na terça-feira, durante conferência com 44 países promovidapelos EUA em Annapolis, o primeiro-ministro de Israel, EhudOlmert, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, prometeram seempenhar para selar a paz até o final de 2008, o que pressupõea criação de um Estado palestino. Mas o Hamas rejeita oprocesso de paz e promete torpedeá-lo. Abu Zayd disse ter se reunido com o primeiro-ministropalestino e com a chanceler israelense antes de viajar aBruxelas, onde inaugurou um escritório de ligação com a UniãoEuropéia, principal doador da agência humanitária da ONU paraos palestinos. "Ambos foram claros que Gaza é o elo perdido", afirmou ela,que se disse "pessoalmente a favor" de um novo governo deunidade entre Hamas e Fatah --o anterior foi dissolvido emjunho, depois que o Hamas expulsou as forças de Abbas da Faixade Gaza. "Não espero que isso aconteça imediatamente, mas pelo menosos arranjos começarão a ser feitos", acrescentou. Passada a conferência de Annapolis, haverá uma reunião dedoadores em Paris. "Teremos de pensar em como atrair Gaza parao processo inteiro", afirmou ela. "Não será fácil, como vimospelos recentes fatos em Gaza e na Cisjordânia, mas acho quetodos percebem que, se estamos falando de uma solução com doisEstados, precisamos de alguma forma ter pelo menos toda aentidade palestina junta." Segundo ela, antes do rompimento da Fatah com o Hamas, 40por cento do comércio da Cisjordânia era com Gaza. "Isso nãoestá mais acontecendo, então todos estão sofrendo com oisolamento de Gaza." Tal isolamento, acrescentou, favorece o extremismo em Gaza,enquanto no começo do ano, sob outro cenário, vozes moderadascomeçavam a surgir no Hamas. "O melhor seria conversar comeles", disse.

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