Processo no Oriente Médio dá sinais de avanço

O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, retomou na terça-feira sua campanha por negociações de paz diretas, em meio a sinais de que os líderes palestinos poderiam ceder à pressão e concordar em se reunir frente a frente com os israelenses.

DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

10 de agosto de 2010 | 09h52

Chegando à sede da Autoridade Palestina, em Ramallah, Mitchell, 76 anos, um diplomata habitualmente sisudo e habituado a ouvir "não" de ambas as partes, parou diante das câmeras de TV e acenou, com um amplo sorriso.

Após ser recebido pelo presidente Mahmoud Abbas, ele se reuniria com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Na quarta-feira, Mitchell volta aos EUA.

O processo de paz foi retomado em maio, após um hiato de 18 meses, mas só por meio de "conversas por proximidade", ou seja, mediadas por Mitchell. O governo dos EUA espera que o diálogo direto seja retomado até setembro, antes que termine a moratória parcial de Israel na ampliação dos seus assentamentos na Cisjordânia ocupada. A retomada das obras para os colonos judeus pode ser fatal para o processo de paz.

Abbas vinha exigindo um congelamento total dos assentamentos, inclusive em Jerusalém Oriental e no vale do Jordão, mas sugeriu na segunda-feira que poderia em breve ceder à pressão internacional e aceitar as negociações diretas.

Netanyahu tem dito que está preparado para começar imediatamente.

"Até agora, não concordamos", disse Abbas. "Podemos enfrentar outras pressões que não conseguiremos suportar. Se isso acontecer, vou estudar essa coisa com a liderança (palestina) e tomar a decisão apropriada", afirmou o presidente a jornalistas no seu gabinete.

Ele disse que, se o chamado Quarteto de Mediadores do Oriente Médio - EUA, Rússia, União Europeia e ONU - convencer Israel a abandonar a atividade colonizadora e alcançar um acordo definitivo em 24 meses, ele aderiria imediatamente às negociações diretas, "por incluírem tudo o que estou pedindo".

Netanyahu diz que Abbas está perdendo tempo, e insiste que os palestinos podem trazer todas essas reivindicações para a mesa de negociações, mas não como precondições.

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