Procurador israelense acusa Olmert de obstruir investigação

Polícia tem dificuldade em marcar datas para os interrogatórios do premiê, acusado de corrupção

Efe,

24 de julho de 2008 | 17h33

O procurador-geral do Estado de Israel, Menachem Mazuz, acusou nesta quinta-feira, 24, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de criar obstáculos à atual investigação contra si por suborno. "A polícia encontrou sérias dificuldades na hora de colocar datas aos interrogatórios ao primeiro-ministro, assim como para determinar sua duração", indicou Mazuz em resposta ao pedido de um jornalista ao Tribunal Supremo para que incapacite Olmert e retire-o do poder. Veja também:Empresário diz que não mentiu sobre doações a Olmert A polícia, acrescentou, "não encontrou" estas "dificuldades quando averiguava outros personagens públicos, incluindo ex-primeiros-ministros". O procurador-geral afirmou que "ainda há decisões a tomar" sobre os diferentes casos de suposta corrupção contra Olmert, pois "ainda não está claro se as provas recolhidas bastam para sustentar uma acusação." Além disso, ressaltou que a incapacitação de um primeiro-ministro não é um assunto legal, mas político, pelo que não há lugar para o pedido. A última investigação contra Olmert se baseia nas suspeitas que recebeu dinheiro de forma ilegal do empresário judeu americano Morris Talansky quando ocupava cargos públicos. Em maio, quando o escândalo se tornou público, Talansky disse ter entregue durante os últimos 15 anos envelopes com dinheiro ao atual chefe de governo como doações para as campanhas eleitorais e uso pessoal. Olmert reconheceu então que recebeu dinheiro de Talansky, mas insistiu em que nunca o utilizou para benefício próprio nem favoreceu o empresário em contrapartida, como suspeitam os investigadores. O empresário terá que prestar depoimento aos advogados do chefe de governo israelense nos dias 31 de agosto e 1º de setembro. No curso da investigação veio à tona que, além de ser investigado em relação com o dinheiro recebido de Talansky, Olmert também é suspeito de irregularidades na solicitação de financiamento a diferentes organismos. A polícia estuda se o primeiro-ministro duplicou faturas para pagar viagens para diferentes membros de sua família.

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