Projéteis caem na Turquia em meio a avanço do Estado Islâmico sobre cidade na Síria

Combatentes do Estado Islâmico se aproximaram de uma cidade estratégica na fronteira norte da Síria com a Turquia nesta sexta-feira, combatendo forças curdas e enviando pelo menos dois projéteis de artilharia para dentro do território turco, disseram testemunhas.

JONNY HOGG, REUTERS

26 de setembro de 2014 | 09h56

O Estado Islâmico lançou uma ofensiva para tentar capturar a cidade fronteiriça de Kobani há mais de uma semana, cercando-a por três lados. Mais de 140 mil curdos fugiram da cidade e de vilas próximas desde a sexta-feira, cruzando para o lado da Turquia.

Os insurgentes islâmicos sunitas aparentemente tomaram controle de uma colina onde combatentes do YPG, o principal grupo armado no norte da Síria, os estavam combatendo havia dias, a 10 quilômetros a oeste de Kobani, disse um correspondente da Reuters.

Sons de tiros de artilharia e rajadas de metralhadores ecoaram pela fronteira, e pelo menos dois projéteis atingiram um vinhedo no lado turco. Não houve relatos imediatos no lado da Turquia e a polícia paramilitar chegou para inspecionar o local.

“Estamos com medo. Estamos pegando o carro e saindo hoje”, disse o dono do vinhedo, Huseyin Turkmen, de 60 anos, à medida que tiros de armas de baixo calibre soavam nas colinas sírias logo ao sul do local.

Forças curdas disseram na quinta-feira ter conseguido conter o avanço inimigo em Kobani, também conhecida como Ayn al-Arab, mas apelaram para que os ataques liderados pelos EUA tivessem como alvo tanques e armamentos pesados do Estado Islâmico.

“Os confrontos estão indo para o leste, oeste e sul de Kobani… três lados da cidade estão ativos”, disse Idris Nassan, vice-ministro das Relações Exteriores da região de Kobani, por telefone.

“Eles estão tentando muito chegar a Kobani. Há resistência aqui por parte do YPG, de Kobani e de alguns voluntários do Curdistão turco, que estão vindo compartilhar os esforços de Kobani. Eles têm dado uma forte resposta”, disse.

A localização estratégica de Kobani tem evitado que combatentes do Estado Islâmico consolidem seus ganhos no norte da Síria. O grupo tentou tomar a cidade em julho, mas foi repelido por forças locais apoiadas por combatentes curdos vindos da Turquia.

“Se eles chegarem dentro de Kobani, todo mundo aqui está armado, estão armados e resistindo. Mesmo eu, eu sou o vice-ministro do Exterior aqui no cantão de Kobani, mas estou armado também. Estou pronto para defender Kobani”, disse Nassan à Reuters.

“Toda garota, todo rapaz, todo homem que for capaz de lutar, carregar uma arma, está armado e pronto para defender e lutar.”

A Turquia tem sido lenta em responder a pedidos de participação em uma coalizão para combater o Estado Islâmico na Síria, em parte por temer a ligação entre curdos sírios e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo militante turco que há três décadas trava uma campanha contra o Estado turco por mais direitos para os curdos.

(Reportagem adicional de Sylvia Westall em Beirute)

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