Projétil israelense matou cinegrafista da Reuters, dize médico

Uma autopsia revelou na quinta-feira quedardos metálicos contidos nos projéteis usados por canhõesisraelenses provocaram a morte, na véspera, de um cinegrafistada Reuters na Faixa de Gaza. Radiografias mostradas pelos médicos que examinaram o corpode Fadel Shana no hospital Shifa, em Gaza, mostraram váriosdesses dardos cravados no peito e nas pernas do profissionalpalestino, que tinha 23 anos. Os dardos ficam dentro dosprojéteis dos tanques, que explodem no ar liberando as peças. Havia também vários desses polêmicos dardos, com 3centímetros de comprimento cada, na jaqueta que Shana usava, naqual havia em letras fluorescentes a palavra "Press"(imprensa), e no carro dele, um utilitário não-blindado quetambém estava marcado com as palavras "Press" e "TV". Em entrevista na sexta-feira à Al Jazeera, Shana falou dasua dedicação ao jornalismo, dizendo: "É impossível me impedirde trabalhar como jornalista sob quaisquer circunstâncias... Euteria que morrer ou perder as pernas." Shana cobria para a Reuters um dia de intensa violência naFaixa de Gaza, em que 16 outros palestinos e 3 soldadosisraelenses também foram mortos. "As provas do exame médico salientam a importância de umainvestigação rápida, honesta e imparcial por parte do governo edas Forças de Defesa de Israel", disse David Schlesinger,editor-chefe da Reuters News. "As marcações no veículo de Fadel Shana mostraramclaramente e sem ambiguidade que ele era um jornalistaprofissional realizando seu dever. Nós e os militaresprecisamos trabalhar juntos urgentemente para entender por queesta tragédia ocorreu e como incidentes similares podem serevitados no futuro", acrescentou Schlesinger. O Exército israelense não informou na quinta-feira se iriaou não realizar uma investigação. Centenas de pessoas, inclusive jornalistas locais,acompanharam o cortejo fúnebre do cinegrafista na quinta-feira.Seu corpo estava envolto na bandeira palestina. A câmeradanificada e a jaqueta foram colocadas sobre uma maca ao ladodo cadáver. Bandeiras de várias facções, inclusive as rivais Hamas eFatah, foram levadas ao velório, no que segundo ativistaslocais foi um sinal de respeito pela imparcialidade de Shana eda Reuters na sua cobertura na Faixa de Gaza. Dois jovens transeuntes morreram na mesma explosão quematou Shana, segundo testemunhas. O cinegrafista havia saído doseu carro para filmar o avanço de um tanque a algumas centenasde metros. O técnico de som da Reuters Wafa Abu Mizyed, 25 anos, foiferido por estilhaços. O médico Yunes Ramadan Awadallah, um dos que examinaram ocorpo de Shana, disse que ele sofreu múltiplas laceraçõesdevido aos projéteis, dos quais alguns parecem ter entrado nopeito pelo pescoço e o ombro, rompendo a medula. Uma porta-voz militar de Israel disse que "as Forças deDefesa de Israel não comentam, como regra, as armas que usam,mas suas armas são legais sob o direito internacional." "Os dardos são legais sob o direito internacional, e umapetição contra elas apresentada à Corte Suprema (de Israel) foirejeitada", acrescentou a porta-voz. (Reportagem adicional de Jeffrey Heller em Jerusalém eNidal al-Mughrabi em Gaza)

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