Projeto dos EUA coloca mensagens democráticas em pipas afegãs

Centenas de pipas estavam no céu sobre a capital afegã nesta sexta-feira, com mensagens defendendo a justiça, a transparência e a igualdade de direitos para as mulheres, em um esforço incomum apoiado pelos EUA para promover a democracia.

TIM GAYNOR, REUTERS

24 de setembro de 2010 | 13h14

Empinar pipas é um passatempo nacional no Afeganistão e foi proibido sob o governo do Taliban. Centenas de meninos e rapazes costumam lançar pipas nas tardes de sexta-feira em uma área mais alta próxima a Cabul.

Funcionários da Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA, ou Usaid, distribuíram cerca de mil pipas cor de laranja, cor de rosa e azuis portando mensagens nos idiomas nacionais do país, dari e pashto.

"Em todas as pipas há uma mensagem sobre combate à corrupção, acesso aos tribunais ou justiça para todos os cidadãos afegãos", disse Mike Sheppard, da Usaid. "Como vocês podem ver, eles adoram pipas, e todas estão no ar."

A violência se encontra em seu pior momento no país desde que forças afegãs apoiadas pelos EUA derrubaram o Taliban, no final de 2001.

A administração do presidente Barack Obama vai rever sua estratégia para a guerra afegã em dezembro, e o projeto das pipas foi lançado seis dias após eleições parlamentares observadas de perto. As eleições foram vistas como importante teste da estabilidade no país, mas foram prejudicadas por fraudes e ataques do Taliban.

Sheppard disse que a Usaid vai levar o projeto para a província ocidental de Herat na próxima semana e depois para outras partes do Afeganistão.

As mulheres raramente empinam pipas no Afeganistão, país profundamente conservador, onde a vida pública é tradicionalmente dominada pelos homens.

A atividade costuma ser competitiva. Rivais passam cerol nas linhas e tentam derrubar as pipas dos adversários, muitas vezes fazendo apostas sobre o resultado.

A paixão dos afegãos por pipas ganhou atenção internacional em 2003 com o romance "O Caçador de Pipas", de Khaled Hosseini, sobre a amizade entre dois meninos de Cabul ao longo de décadas de guerra e turbulência.

O estudante Munib Helal, 19, pôs no ar uma pipa cor-de-rosa com a mensagem "ações ruins levam a consequências piores", que ele considerou ser útil para todos.

Mas nem todos puderam entender as mensagens pró-democracia. A pobreza é geral no Afeganistão, e menos de 30 por cento da população é alfabetizada.

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