Promotor do TPI afirma que tempo de Kadafi está próximo do fim

Luis Moreno-Ocampo, ditador líbio deve ser preso 'em dois ou três meses'

NICK CAREY E AARON GRAY-BLOCK, REUTERS

28 de junho de 2011 | 12h03

TRÍPOLI - O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI) disse nesta terça-feira, 28, que o "jogo pode chegar ao fim" para Muamar Kadafi em questão de meses, mas a China reagiu com cautela à emissão de um mandado de prisão contra o líber líbio por acusações de crimes contra a humanidade.

 

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"Hoje é tempo de prisões", disse a jornalistas em Haia o promotor-chefe do TPI, Luis Moreno-Ocampo, um dia depois de o tribunal ter aprovado mandados de prisão contra Kadafi, seu filho Saif al-Islam e o chefe da inteligência líbia, Abdullah al-Senussi.

"É uma questão de tempo. Kadafi será levado à Justiça. Os mandados de prisão não vão desaparecer." Ele acrescentou: "Não creio que teremos que esperar muito tempo. Em dois ou três meses estará acabado."

Promotores alegam que os três homens estiveram envolvidos na morte de manifestantes civis que em fevereiro se levantaram contra o governo de Kadafi, no poder há 41 anos. Os rebeldes já chegaram a 80 quilômetros de distância da capital Trípoli.

A China não condenou nem endossou a ação do tribunal. "A China espera que o TPI possa cumprir seus deveres com prudência, justiça e objetividade e assegurar que seu trabalho relevante ajude genuinamente a paz e estabilidade regionais", disse um porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Hong Lei, quando indagado sobre os mandados de prisão.

A China criticou o indiciamento por crimes de guerra do presidente sudanês Omar Hassan al-Bashir, atualmente em visita de Estado a Pequim, pelo TPI. Ele e Kadafi são os únicos chefes de Estado no exercício do poder contra os quais o tribunal emitiu mandados de prisão.

Pequim geralmente evita imiscuir-se nos assuntos domésticos de outros países e tem demonstrado ceticismo quanto à operação militar da Otan em apoio aos rebeldes que combatem Kadafi.

Mas o ministro do Exterior, Yang Jiechi, disse a líderes rebeldes líbios na semana passada que eles se converteram em uma "força política doméstica importante" no país.

Avanço para Trípoli

Rebeldes anti-Kadafi na região dos Montes Ocidentais, a sudoeste de Trípoli, conquistaram no domingo seu maior avanço em semanas, chegando à cidade de Bir al-Ghanam, onde agora estão enfrentando forças pró-Kadafi pelo controle da cidade, disse o porta-voz deles.

O avanço os levou para 30 quilômetros ao norte de sua posição anterior e para mais perto de Trípoli, a principal base de poder de Kadafi.

Um porta-voz rebelde na cidade de Zintan disse que a segunda-feira foi calma e que na manhã da terça não havia notícias dos rebeldes quanto à situação na região. Mas um porta-voz deles em Misrata disse que as forças de Kadafi atacaram a cidade a leste de Trípoli durante a noite.

"As forças de Kadafi bombardearam Misrata ontem à noite. Não houve baixas, graças a Deus. Hoje a situação está calma, por enquanto", disse o porta-voz, que se identificou como Youssef.

A revolta líbia converteu-se na mais sangrenta das revoltas da Primavera Árabe contra governos autocráticos em todo o Oriente Médio e norte da África, convertendo-se em guerra civil quando rebeldes apoiados por países ocidentais e árabes assumiram o controle do leste do país.

No distrito de Nalut, ao lado da fronteira da Tunísia, rebeldes disseram na segunda-feira que a infra-estrutura de água e eletricidade foi atingida pelos bombardeios das forças de Kadafi.

"Há uma crise aqui", disse um porta-voz identificado como Mohammed. "Estamos sem eletricidade depois de as brigadas terem bombardeado os postes elétricos de alta voltagem. E a o problema com a eletricidade afetou o fornecimento de água."

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