Promotoria rastreou telefonemas do complô para matar Hariri no Líbano

Quatro homens acusados do assassinato do estadista libanês Rafik al-Hariri usaram dezenas de telefones celulares durante os últimos dias da vida dele para coordenar o enorme atentado com carro-bomba que o matou, bem como outras 21 pessoas, em 2005, disseram procuradores nesta quinta-feira.

THOMAS ESCRITT E ANTHONY DEUTSCH, Reuters

16 de janeiro de 2014 | 19h04

O julgamento à revelia dos quatro, todos membros do partido político e grupo militante Hezbollah, começou numa corte da Organização das Nações Unidas em Haia, na Holanda, praticamente nove anos depois do atentado que quase mergulhou o Líbano novamente na guerra civil.

Saad Hariri, filho dele - e também, como o pai, ex-primeiro-ministro libanês -, disse que o julgamento irá ajudar a promover justiça e democracia em um país que há muito tempo é afetado pela violência política.

"Nós estamos começando a ver a revelação de como o primeiro-ministro Hariri e muitos outros da Revolução dos Cedros foram mortos e assassinados por causa de sua luta pela democracia", disse ele a repórteres, referindo-se aos protestos depois da morte de seu pai que puseram fim a décadas de ocupação síria do Líbano.

Enquanto o julgamento começava, o Líbano era atingido por um outro ataque letal, no qual um carro-bomba matou o próprio atacante suicida e três outras pessoas, ferindo 26, em um reduto do Hezbollah na fronteira norte do Líbano com a Síria.

Os homens julgados - Salim Jamil Ayyash, Mustafa Amine Badreddine, Hussein Hassan Oneissi e Assad Hassan Sabra - são acusados de assassinato, terrorismo e de planejamento do atentado contra Hariri. Eles poderão ser sentenciados à prisão perpétua se considerados culpados. A previsão é de que o caso dure anos.

Promotores disseram que dados extraídos de registros de bilhões de chamadas telefônicas e mensagens de texto mostraram que os réus ligaram uns para os outros de dezenas de celulares para monitorar Hariri nos meses prévios ao assassinato e para coordenar seus movimentos no dia do ataque.

"Eles usaram redes telefônicas colocadas em operação e mantidas meses antes da conspiração de fato", disse um membro da promotoria, Alexander Milne.

Aparelhos que tinham sido comprados seis meses antes do ataque ou mesmo no ano anterior repentinamente passaram a ser utilizados nos últimos três meses de vida de Hariri, segundo os promotores, já que os supostos conspiradores os empregaram para pôr seu plano em andamento.

Todos os aparelhos ficaram silenciosos imediatamente antes ou logo após o atentado.

Depois, os responsáveis tentaram lançar a culpa num grupo fundamentalista fictício chamado "Vitória e Jihad na Grande Síria", disseram os promotores, em ligações para as redações da Reuters e da Al Jazeera em Beirute assumindo a autoria do atentado.

(Reportagem adicional de Dominic Evans, em Beirute)

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