Proposta de Bush para a paz é bem recebida por líderes árabes

Palestinos aprovam a realização de acordo com Israel para a criação de Estado independente

Efe,

17 Julho 2007 | 11h19

A proposta do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para a realização de negociações de paz entre Israel e a população palestina foi bem recebida nesta terça-feira, 17, entre líderes da região.   Após anunciar um projeto de doação de US$ 190 milhões ao novo governo palestino, em uma clara demonstração de apoio ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Bush afirmou que pedirá um encontro regional, presidido pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.   Veja também: Israel rejeita negociações sobre fronteiras com palestinos   A reunião deve incluir Israel, a Autoridade Palestina e os "vizinhos na região", na mais recente tentativa para restaurar as instituições democráticas. As negociações deveriam levar a uma definição das fronteiras palestinas, fazendo com que outras questões importantes, como o status de Jerusalém e o destino dos refugiados, acabariam sendo discutidas em seguida.   Porém, israel declarou sua rejeição pelas negociações "neste momento" sobre as fronteiras de um futuro Estado palestino. "Israel declarou abertamente que estamos dispostos a conversar sobre questões do 'horizonte político' e sobre como alcançar a visão de dois Estados para dois povos", disse Miri Eisin, porta-voz do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. "Mas deixamos muito claro que não estamos dispostos a discutir neste estágio as três questões centrais - de fronteiras, refugiados e Jerusalém", acrescentou Eisin.   Repercussão   O primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, recebeu com "beneplácito" a proposta, além de expressar "seu profundo interesse" em conseguir um processo de paz para o estabelecimento de um Estado palestino e enfatizou o anúncio de Bush de realizar uma conferência internacional de paz com Israel, palestinos e alguns países árabes, "para impulsionar o processo de paz".   O rei Abdullah II da Jordânia qualificou de "um passo positivo no caminho correto" a proposta do presidente Bush. Segundo um comunicado da Casa Real jordaniana, o monarca, que está em visita ao Canadá, expressou esta opinião durante uma conversa por telefone com Bush.   "Essa chamada pretende abrir as portas para conseguir um progresso real e tangível no processo de paz, a fim de preparar o caminho para a criação de um Estado palestino independente no território palestino", afirmou Abdullah II, segundo o comunicado jordaniano.   O governo alemão também comemorou a iniciativa, mas ressaltou que os principais arquitetos do diálogo devem ser as partes diretamente envolvidas. Segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm, a proposta de Bush mostra que os EUA se sente comprometido em promover a paz no Oriente Médio e o estabelecimento de dois Estados que possam conviver em paz.   Resposta israelense   Nesta terça, vários colunistas de Israel consideraram o plano de Bush tímido e tardio, já que só lhe restam 18 meses de mandato. "A paz no Oriente Médio é como o horizonte: quando mais perto se chega, mais longe ele fica", escreveu Nahum Barnea, do popular jornal Yedioth Ahronoth.   Uma importante fonte oficial israelense disse que a proposta de Bush sobre as fronteiras não foi levada tão a sério porque "ele não estabeleceu nenhum cronograma".   Essa fonte disse que o Estado judaico acredita que Bush insistirá na necessidade de os palestinos conterem a militância antes da negociação territorial.   Outra fonte admitiu que "as seqüências e fases (da negociação) foram deixadas vagas e abertas a interpretações".   Bush pediu a Israel que destrua pequenos postos avançados construídos sem aprovação do governo na Cisjordânia, mas não chegou a exigir o fim dos assentamentos estabelecidos na região - limitou-se a desaconselhar a "expansão dos assentamentos".

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