Protesto de muçulmanos contra filme reúne milhares no Afeganistão

Milhares de manifestantes saíram às ruas da capital afegã nesta segunda-feira, incendiando carros e gritando "morte à América', em mais um protesto no mundo islâmico contra um filme considerado ofensivo ao profeta Maomé.

MIRWAIS HAROONI, Reuters

17 de setembro de 2012 | 09h39

Embaixadas ocidentais em vários países muçulmanos estão em alerta elevado, e os Estados Unidos pediram aos governos locais que reforcem a proteção das instalações diplomáticas estrangeiras, após vários dias de violência antiamericana por causa do filme produzido nos EUA.

"Havia entre 3.000 e 4.000 manifestantes. Eles queimaram alguns carros de polícia, mas pudemos separá-los e evitar que a insegurança se alastrasse", disse à Reuters o general de polícia Fahem Qayem, comandante de uma tropa de choque da polícia.

Os incidentes começaram perto de condomínios habitados por estrangeiros, na volátil zona leste de Cabul. Depois disso, as embaixadas do centro da cidade, inclusive as do Reino Unido e Estados Unidos, restringiram seu acesso.

"Vamos defender nosso profeta até que tenhamos sangue sobre os nossos corpos. Não vamos deixar que ninguém o insulte", disse um manifestante que se identificou como Jan Agha Pashtun. "Os americanos vão pagar por sua desonra."

Os protestos contra o filme começaram na terça-feira passada, no Egito e na Líbia, após várias semanas de difusão pela internet do filme, que mostra Maomé como mulherengo, homossexual e abusador de crianças. Muitos muçulmanos consideram que qualquer representação da imagem do profeta é uma blasfêmia.

O filme, praticamente desconhecido nos EUA, tem sido apresentado com vários nomes, inclusive "A Inocência dos Muçulmanos".

Um dos primeiros ataques, contra o consulado norte-americano em Benghazi (Líbia), resultou na morte de quatro funcionários diplomáticos dos EUA, inclusive o embaixador no país.

O presidente do Parlamento líbio disse que aparentemente o ataque foi planejado antecipadamente por "um grupo com uma agenda", em vez de ser uma reação espontânea ao vídeo.

No domingo, novos protestos ocorreram em lugares tão díspares quanto Londres e Lahore. Missões diplomáticas ocidentais ficaram em alerta, e a Alemanha, seguindo o exemplo dos EUA, retirou funcionários da sua embaixada no Sudão, que havia sido invadida na sexta-feira.

Essa é a mais grave onda de ataques antiamericanos no mundo islâmico desde o início das revoltas da Primavera Árabe, no final de 2010. Pelo menos nove pessoas foram mortas durante os protestos na sexta-feira em vários países.

A crise também constituiu uma dor de cabeça para o presidente dos EUA, Barack Obama, na reta final da campanha para a eleição presidencial de 6 de novembro contra o republicano Mitt Romney.

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