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Protesto judaico termina em violência em Israel

Um policial ficou ferido e ao menos quatro manifestantes foram detidos em Jerusalém

ALLYN FISHER-ILAN, REUTERS

26 de dezembro de 2011 | 19h49

JERUSALÉM - Judeus ultraortodoxos entraram em confronto na segunda-feira, 26, com policiais numa cidade dos arredores de Jerusalém, onde o governo tenta reprimir vigilantes religiosos acusados de assediarem mulheres.

 

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Um policial ficou ferido, e pelo menos quatro manifestantes vestidos de preto foram detidos em meio aos distúrbios motivados por uma reportagem de TV em que uma menina de oito anos se queixava de ter sido xingada por judeus ortodoxos a caminho da escala.

"Nazistas, nazistas", gritavam os manifestantes religiosos na localidade de Beit Shemesh, dirigindo-se aos oficiais israelenses que os escoltavam para fora do local, conforme mostraram imagens da TV de Israel.

Um porta-voz policial disse que as autoridades estão investigando as queixas de que alguns judeus ortodoxos teriam cuspido e falado de forma "desrespeitosa" com alunas de uma escola primária. Há suspeitas de que radicais religiosos intimidam mulheres que eles considerem exibidas.

Equipes de TVs israelenses relataram agressões com pedradas em Beith Shemesh, onde homens ultraortodoxos se irritaram com a retirada de uma placa que orientava as mulheres a evitarem certas ruas. A polícia prometeu reforçar sua presença na cidade.

A polêmica em Beith Shemesh ilustra a crescente divisão que existe entre Israel entre os religiosos devotos e os judeus não-praticantes, que são a maioria da população. A poderosa influência dos partidos políticos ultraortodoxos de Israel exacerba essa tensão, embora os ortodoxos sejam apenas 10 por cento da população.

Mas muitos rabinos insistem que os incidentes em Beit Shemesh foram provocados por uma minoria inexpressiva, e vários deles condenaram a violência.

Em reunião ministerial no domingo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sugeriu que não permitirá que judeus ortodoxos tentem impor segregações de gênero nos espaços públicos.

"Numa democracia ocidental e liberal, o espaço público é aberto e seguro para todos, homens e mulheres, e não há lugar ali para nenhuma intimidação ou discriminação", disse ele.

Há anos as mulheres israelenses se queixam dos homens de vestes negras que as obrigam a se sentar no fundo dos ônibus, separadas dos homens.

Mais recentemente, e principalmente em Jerusalém, alguns rabinos passaram a exigir também que as empresas evitem expor fotos de mulheres ou empregá-las em estabelecimentos frequentados por judeus religiosos.

Mas só recentemente a polêmica da "exclusão das mulheres" foi parar nas manchetes dos jornais, após um incidente num quartel onde soldados ortodoxos abandonaram uma cerimônia em que havia cantoras se apresentando.

Como agora o foco se voltou para Beith Shemesh, ativistas decidiram realizar uma grande manifestação na cidade na terça-feira.

Alguns moradores temem que os incidentes possam complicar o convívio entre os judeus religiosos, geralmente imigrantes, e os nascidos em Israel, que tendem a ser mais moderados.

Matti Rosensweig, porta-voz da comunidade, disse a jornalistas que o prefeito local está "trabalhando em hora extra para tentar acalmar o clima".

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